Por quê?

Procuro-te tanto porque
A veemência e o doce dos nossos beijos
Hoje têm o gosto amargo da saudade.
As risadas ingénuas, alegres e sinceras
São agora como o êxtase dos mortos:
Silêncio puro.
E os nossos corpos nus, ardentes, perfeitos?
Ah! Esses pobres! Desonrados, excitados,
Também não se fundem mais.
Assim como nós, são apenas
Dois estranhos; velhos amantes esquecidos.
Nossos desejos viraram repulsa, nojo.
A Intimidade ganhou o nome de solidão.
A paixão não se empresta mais a nós,
Amor transformado em cólera, infortúnio.
Vida infligida, fraudada, penitência miserável.
E tu ainda me perguntas por quê?

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