A crise dos 30 – Ela existe!

Uns dias depois do meu editor dizer que iria trabalhar na minha segunda obra de poesia, e em pânico total por não conseguir organizar os meus livros de romance, enquanto publicações de “fulano ficou noivo de cicrana” ou “labetana vai ser mãe pela centésima vez” inundavam os meus olhos no Facebook, algo apitou na minha cabeça.

Tudo bem que aos 28 anos, a caminhar para os 29, eu não esperava ter uma carreira glamorosa, um marido perfeito, uma casa com cerca branca e menos ainda, um filho com bochechas coradas e QI de 200, mas um fato eu constatei: não invejando os noivados e as gravidezes alheias, e compartilhando das suas alegrias, eu estava longe disso. Longe mesmo, algo como a anos luz de ter até mesmo um tamagotchi que sobrevivesse por 24 horas.

Inicialmente, não identifiquei isso como um problema a longo prazo. Eu sabia que as coisas não estavam como planejado, se é que algum dia eu havia planejado algo, porém, eu desconhecia que o “buraco era tão fundo”, até porque quando a sua vida se resume praticamente ao Desemprego S.A, exercitar-se entre 2 a 3 horas por dia, jogar sudoku e mahjong, devorar todo tipo de literatura, encarar os seus próprios livros no Word na esperança que os bloqueios desapareçam, e atormentar a própria mente para resistir a quilos de gomas (jujubas), deliciosos snacks e ao pão de queijo da padaria em frente, fica complicado refletir intensamente.

Mas uma coisa eu não podia negar: eu estava confusa, e já havia algum tempo. Vivia três tipos de dias. Em alguns, os piores, eu acordava desesperada, angustiada, queria recomeçar. Conhecia a inutilidade em carne e osso. Por mais que já tivesse alcançado, não parecia o suficiente; sentia que decepcionara todos a minha volta e acima de tudo a mim mesma. Nesses dias, meu maior desejo era fazer uma mala com todos os meus sapatos – não iria embora sem eles – e desaparecer no mundo. Nos meus melhores tempos, ficava apática, só queria deixar tudo como estava – sim esses eram os melhores dias – eu simplesmente ficava como um quiabo na panela: flutuava, via a vida passar. Por fim, tinha os dias estranhos, ah esses malditos, em que pela manhã, as coisas pareciam tão erradas, abstrusas, sem futuro, e então ao entardecer, sem motivo algum, tudo aliviava. Era simplesmente bizarro.

Quase trintona, sem cabelos brancos (pelo menos isso), a dormir com o rosto empastado de anti-aging, onde qualquer bebedeira com mistura alcoólica vira uma catástrofe, penando no ginásio, prestes a formar-me em Direito, com uma carreira como escritora próspera, com o coração aos pulos, sem problemas financeiros, o que se passava comigo?

Conversando com um amigo que preferiu ter seu nome omitido, tive a resposta: “Bem-vinda a crise dos 30”, disse ele.

COMO ASSIM CRISE DOS 30? Gritou uma voz na minha cabeça, do que ele estava a falar? O que seria a crise dos 30? O que seria a MINHA crise dos 30? Devia eu pesquisar sobre isso? Não, eu não precisava, eu era a pesquisa, eu era a crise dos 30! Eu tinha a resposta.

Questionava-me com frequência para onde iria, ou até mesmo sobre quem era, sentia-me perdida, tinha esquecido a minha identidade. Perguntas e mais perguntas tomavam conta de mim. O que eu realizara? Seria orgulhosa demais? Existia alguma coisa que eu precisava deixar para trás a fim de seguir em frente? Havia algo mais importante e gratificante que eu podia focar? Que conversas tinha que me mantinham viva? O que estava disposta a fazer para mudar? O que eu mais queria na minha vida? Tinha algum desejo emergente? Estava presa em mim mesma? Chorava tentando ser livre? E os meus relacionamentos, em que pé andavam? Eu ao menos tinha algum? Que medos me apunhalavam? E a pior pergunta de todas: o que poderia fazer, que passo tomar para descobrir o que havia do outro lado? Estava mergulhada na desordem. Era pior que um Deus-nos-acuda. Não sabia se o meu futuro dar-me-ia felicidade e realização, isso para não falar nas prioridades: elas haviam mudado! O meu foco já não era o mesmo de anos atrás, não sentia a mesma empolgação quando saía para discotecas (mesmo que raramente), ou tinha necessidade de gastar dinheiro estupidamente; iniciar relacionamentos pré-datados, sem amanhã, nem pensar! “Antes só do que mal acompanhada!”, dizia a mim mesma e ainda acabava por sorrir. Sim eu sorria, tal era o meu desequilíbrio.

Bem eu decidi que precisava aceitar a realidade, meu amigo tinha razão, eu entrara na crise dos 30, na 3ª década, em que de acordo com Wilson Jacob Filho, do serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo “A 3a década de vida marca o término da fase de desenvolvimento do corpo”, cruel não?

Continuando… Procurei várias definições sobre a “Crise dos 30” e nenhuma me agradou, desse modo, não irei aqui tentar definir esse “colapso” vou portanto, falar sobre a minha conjuntura dos 30, se é que assim posso chamar.

Beirando os meus 29 anos, a crise dos 30 para mim, não é sobre recuperar a “juventude” perdida (eu bem que tentei), está mais para encontrar algo que me deixe menos incompleta, focar na carreira, buscar na minha vida novamente significado e desafio. É neste ponto onde o meu desenvolvimento interior, as minhas decepções de sonhos não satisfeitos, de relacionamentos fracassados, ganham um novo rumo. Após refletir seriamente sobre as escolhas que fiz, sobre os sentimentos descritos acima, de vida presa, de estar numa dimensão diferente, do que a que eu gostaria de viver agora, e passar pela angústia dos últimos meses, em que perdi o meu equilíbrio (não é que eu seja muito equilibrada), eu cheguei do outro lado. Perdi-me para encontrar-me, e daí que no caminho eu não soube quem eu era? Que eu gastei tubos de dinheiro em anti-aging? Ou que descobri que em breve meus desejos entrarão em confronto com o famoso relógio biológico? Não, eu não tenho tudo, nem as respostas para todas as perguntas, apenas as suficientes, para seguir com meu autoconhecimento e auto-avaliação.

Após tudo dito e feito, analisado e narrado, digo a você que me lê, e acredita que sou maluca, que percebo a boa notícia de ter uma crise de 30 anos. É simplesmente fantástico.

Questionar a nossa vida, como mudar de fase, apesar de angustiante e desconfortável, é ótimo.

No meu caso, a minha vida vem progredindo – as rugas também – o importante é que eu desafiei o status quo da minha existência. Não sou mais uma estranha para mim mesma como nos últimos meses. Os meus dias ganharam sentido. Sei para onde vou, o que quero, e busco os meios de alcançar os meus desejos e objetivos; tornei-me mais próxima dos meus amigos, mais madura nas minhas decisões. E daí que continuo solteira? Talvez ainda não tenha conhecido o encantado, ou quiçá ele esteja distante, porém não perdi a esperança…

A minha irmã uma vez disse-me que depois dos 30, foi quando se sentiu mais mulher, sei que esse dia chegará para mim, sei também que, talvez no meio de tantas dúvidas e questões a melhor lição que aprendi foi compreender e aceitar que: não posso, nem devo comparar-me ao “fulano ficou noivo de cicrana” ou “labetana vai ser mãe pela centésima vez”, nossas vidas têm ritmos e desejos imprevisíveis, nós devemos respeitar as decisões dos outros quando se trata de família e carreira, enfim decisões de vida, e só igualmente chegaremos ao conforto e aceitação com as nossas próprias decisões, sobre o que podemos escolher para equilibrar a nossa vida. Por isso acredite! Se ainda há tempo e uma vida inteira pela frente para mim, há para você! Viva a crise dos 30, ou como você quiser chama-la; aceite-a, deleite-se, chore, sorria. Dê tempo a você, como eu dei a mim, pois uma coisa lhe garanto: você entrará nessa crise grande, mas saíra enorme! Eu saí!

ELAS ENTRE MUITAS OUTRAS TAMBÉM SOBREVIVERAM OU SOBREVIVEM A CRISE DOS 30
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“Cheguei aos 30 e agora? Casada, 30 quilos a mais do que há 15 anos, dois filhos e um marido trabalhador. Não estava em um momento ‘princesa’ da minha vida, mas estava feliz, na medida do possível. Aprendi a ser dona de casa (na marra) e fui seguindo. Havia parado de estudar com 18 e aos 30 retornei. E foi uma das melhores coisas da minha vida. Não sabia cozinhar, aprendi. Senti que não estava ‘velha’. Com força e apoio aprendi a conviver com a depressão, síndrome do pânico e venci. Mas venci aquela fase. Outras virão. Basta sabermos que a cada fase estaremos ‘preparadas’ para cada uma delas. Não é fácil, mas com a força e inteligência que temos, sempre nos sairemos bem em qualquer uma delas.” (Bete F.)

“Depois de uma infância e adolescência totalmente ‘desajustadas’ do contexto, onde não me encaixava em nenhum padrão quando fiz 30 institui ali um marco da minha libertação dessas tentativas. Já tinha vivido uma união estável, já havia me separado, não tinha filhos, não estava estabelecida financeiramente e pensei que dali por diante, não tinha mesmo nada a perder. Meu irmão me deu de presente um relógio, que me acompanhou sempre simbolizando que o tempo passa, mas cabe a cada um de nós o que fazer com as horas. Não quis festa, não quis comemorar com os amigos. Fui dar uma volta no calçadão, bebi uma água de coco e celebrei ali o início do meu descompromisso com a vida… Aos 39 fui mãe e aí entendi que o compromisso é com os laços que a gente cria. Frustração pelo que esperam da gente é pura perda de tempo e depois dos 30 é bom que a gente aprenda a não perder mais tempo…” (Juli M.)

“Aos 30 anos estou eu separada e com 3 filhos, um deles com paralisia cerebral. Fui casada, separei, arranjei um outro parceiro, e estou num novo processo de separação. Sou bancaria bem-sucedida e continuo a estudar. Há tempos olhei para o espelho e perguntei: o que há de errado em mim? O que fiz da minha vida? Sinto-me cansada e sozinha, apetece-me fugir, esquecer tudo e todos, ficar numa ilha deserta, mas pensei seria infeliz na mesma, iria sentir a falta dos meus pequenos. A minha batalha com o meu filho especial depende tanto de mim… Quero ser feliz. Será que fui um dia? Será que fiz a escolha certa? Não sei a resposta e também não sei se estou a tomar as decisões certas, vou deixar nas mãos de Deus, vou viver um dia de cada vez, tentar errar menos, e acertar mais, nunca desistir. Vou terminar a faculdade, continuar a criar os meus 3 rapazes e lutar sempre para o bem do meu filho especial. A batalha é longa. Levanto, sacudo a poeira e peço a Deus que me dê forças, saúde e que me guie, porém as vezes tenho medo e sinto-me angustiada.” (Euridice C.)

“Minha crise! Tudo começou quando eu achava que já tinha desejo de constituir uma família depois da minha formação, isso as 26 anos. Me sentia uma mulher realizada e desejada por muitos homens, era chato viver com isso na minha cabeça. Apenas uma fase difícil. Quantas mudanças… Seria a crise dos 30? Ahhh, mas por quantas crises dessa já não passei? Nos 15, nos 20… Este ano completei 31 anos, mas já há algum tempo, eu venho triste, muito triste com o meio que vivia… Trabalhar com a terra é algo complicado. É um glamour que não existe, é meio de interesses e muitas outras sujeiras. Por mais que eu não estivesse ligada diretamente a muitas destas coisas, conviver neste meio já me machucou muito nestes meus 5 anos de trabalho…. E aí o amor pela coisa fala mais alto, aí você apanha um queda, respira, volta e vai seguindo… E eu sempre pensando: meus Deus, o que fazer para mudar isto? Para onde ir? 2013 entrou, parado quieto. Me dando tempo para pensar demais. O dinheiro mais saindo do que entrando. Toda aquela instabilidade que umfreela conhece. Tempo de pensar e mudar. Tudo. E neste ano o meu desejo é aproveitar as coisas mais simples da vida, em cada detalhe. É amar muito mais, observar, viver, fazer a diferença. Mais que o incerto, o vulnerável machuca constantemente, isso sim, não tem como negar. Um ano de mais coisas sólidas e verdadeiras é o que eu desejo. Que este tempo ruim passe logo que está doendo. Dá pra resumir tudo em uma única palavra: tempo. Enquanto mostra que você está envelhecendo e precisa aproveitar cada minuto, ele o enche de cobranças para serem resolvidas rapidamente. Na verdade, é apenas um grande ciclo que se encerra na vida. A notícia boa é que vai passar. A ruim: logo, logo, vem o próximo.” (Tahicia B.)

A masturbação nossa de cada dia

A MASTURBAÇÃO NOSSA DE CADA DIARecentemente publiquei no meu perfil do Facebook o vídeo da Divinyls – I Touch Myself que traduzindo de forma grosseira quer dizer “eu mesma me toco”, e bem, apesar da repercussão positiva no âmbito masculino (não foi essa a intenção), duas ou três mulheres ficaram extremamente intrigadas por eu ter tido coragem de publicar algo assim, e duas delas chegaram até mesmo a enviar mensagem fechada afirmando que uma mulher não deveria dizer que se masturba, e eu pergunto: porque não? Porque em pleno século XXI em que são escassos os tabus relativos ao sexo, a masturbação feminina ainda é um tabu, isto é, um assunto que não se pode ou não se deve falar?

Pois bem, a palavra masturbação que tem sua origem no latim masturbatìo,-onis, nada mais é que estimular os próprios órgãos genitais (manualmente ou por meio de objetos) para obter prazer sexual que pode ter como objetivo atingir o orgasmo (mais alto ponto da excitação sexual) ou não.

De acordo com a Wikipédia “O termo foi usado pela primeira vez pelo médico inglês e fundador da psicologia sexual, Dr. Hevelock Ellis, em 1898. Foi formado pela junção de duas palavras latinas manus, que significa ‘mãos’, e turbari, que significa ‘esfregar’ com o significado de ‘esfregar com as mãos’”.

Historicamente sabe-se que a masturbação já vem desde a era paleolítica há 10000 a.C. e sabemos disso porque há inscrições feitas pelos homens primitivos mostrando figuras de masturbação solitária, coletiva ou como parte de rituais; também é de conhecimento geral que durante muito tempo a Igreja Católica classificou-a como um pecado, considerando-a até mesmo pior do que o incesto e que isso foi regra nos séculos XVII a XIX, mas a pergunta que não quer calar é porque dois séculos depois a masturbação –em particular feminina – ainda é vista como um tabu, será que a ideia de pecado ainda permanece na cabeça de muitos? Que a masturbação é algo sujo? Ou um ato típico dos tarados sexuais e dos anormais, e até que prejudica a saúde?

Uma pesquisa do Kinsey Institute, entidade ligada ao trabalho do revolucionário pesquisador norte-americano Alfred Kinsey, mostrou que 11% das mulheres afirmaram nunca ter se masturbado – contra um percentual de 5% verificado entre os homens, e isso só mostra que apesar de muitas mulheres já terem quebrado o tabu da masturbação, para algumas, ele ainda existe e a meu ver está na hora desse tabu e desses mitos sobre a masturbação serem deixados de lado.

Como foi dito anteriormente a masturbação é o ato de estimular os próprios órgãos genitais e para quem deseja alcançar o grau máximo de prazer deve conhecer o próprio corpo, então a masturbação – que pode ser apenas no clitóris ou pode envolver a inserção de dedos na vagina para promover a estimulação interna etc. – não serve apenas para se alcançar o orgasmo, ela é sem sombra de dúvida a melhor maneira de se obter o conhecimento do próprio corpo, e nada tem de mal nisso, ela é uma forma de reforçar o erotismo, alimentar fantasias sexuais ou até mesmo a libido.  Quem é mulher sabe que todo o seu corpo é objeto de prazer; desde o toque na pele, nos seios, na vagina, até o tipo de movimento e posição que mais lhe agradam. Mas para que você descubra isso, precisa de se tocar, precisa touch yourself, precisa sentir-se, pois dificilmente o seu parceiro conseguirá adivinhar isso.

Pesquisas mostram que porcentagem de mulheres que obtêm regularmente o orgasmo é maior naquelas que se masturbam e sendo repetitiva, digo que isso acontece porque quem se masturba conhece melhor o próprio corpo. Lógico que você não deve se restringir à masturbação, se você tiver alguém para fazer sexo melhor e que você não deve deixar que isso atrapalhe sua relação (isso serve para os homens também). Sei ainda que para uma maioria esmagadora das mulheres, o amor e o sexo andam juntos e muitas sentem depressão após o orgasmo atingido por meio da masturbação, pois sentem-se sós, mas não deixe de se masturbar por isso, garanto que você como mulher fica deprimida por outras coisas e nem por isso deixa de fazê-las.

Dessa forma, e não querendo mais me alongar no assunto, você mulher que se reprime sexualmente, não se masturba e ainda vem me reprimir porque eu touch myself entenda que a masturbação é um comportamento absolutamente normal e pode estar presente em qualquer idade; entenda que a masturbação não é algo sujo, tampouco um ato típico dos tarados sexuais e dos anormais; ela também não prejudica a saúde e muito menos dá acne. Dito isto, aconselho que você se masturbe, pois como disse Woody Allen “Não despreze a masturbação – é fazer sexo com a pessoa que você mais ama.”, por isso pare de me chatear e vá touch yourself, pois já dizia Platão “Aquele que melhor se conhece a si mesmo é o que menos se exalta.”

Letra da música: http://letras.terra.com.br/divinyls/11242/traducao.html

*Obrigada ao Mafarriku pelas correções.

Fiel aos próprios interesses ou aos de outrem?

FIEL AOS PRÓPRIOS INTERESSES OU AOS DE OUTREMAs relações estão cada vez mais frágeis; se não, descartaveis. As pessoas  começam namoroterminam namorocomeçam namoroterminam namoro; como quem muda de roupa ou mastiga chiclete. Sem contar que metade dos casamentos termina em divórcio. A maior parte das pessoas não consegue mais manter laços.  Assim, a fidelidade está em baixa no “mercado”: simplesmente esqueceu-se o significado de “ser fiel”; há também quem nunca soube. E você? Por acaso ainda se lembra do que é “fidelidade” ou “ser fiel”?

Fidelidade, pelo latim vulgar fidelitate,  é o atributo ou a qualidade de fiel (do latim fidelis), ou seja, de quem não trai alguém ou algum princípio. É uma “constância”, “perseverança” nas afeições e nos sentimentos; o cumprimento dos compromissos de monogamia assumidos com cônjuge, companheiro(a), ou namorado(a). É o compromisso íntimo que o ser humano assume de cultivar e proteger a relação mantida com outra pessoa e com ela mesma. Envolve uma necessidade mútua de confiança, sinceridade e respeito. Com base nisso e em outros fatores a relação atinge uma estabilidade que, quando alcançada, torna-se díficil de ser quebrada.

Apesar de ser um valor fundamental, uma atitude, uma virtude, a fidelidade só existe onde o sentimento é mais forte do que o instinto, uma vez que ser fiel requer renúncias. Resignar pensamentos e desejos não significa, obrigatoriamente, eliminá-los. Se uma pessoa inicia uma relação por vaidade ou prazer; para melhorar a posição social ou por interesse financeiro, está sendo egoísta: não tem a menor noção do quanto está disposta a renunciar,  ou mesmo, se realmente pretende abdicar a algo. Seguindo tal raciocínio, fica claro que o  relacionamento perde o foco, encontrando-se fadado ao fracasso. Observe-se o caso real, abaixo:

Uma mulher de família muito pobre, conheceu um homem de classe média alta, iniciando um relacionamento. Durante cerca de três anos o namoro foi perfeito: ela era a pessoa mais carinhosa, mais querida e fiel. Apenas, dizia com frequência que era frígida; mas, havendo amor isso lá importa? Pois bem, ele, apaixonado pela primeira vez na vida, fazia tudo o que estava ao seu alcance para proporcionar à namorada “perfeita” um mundo, que, sozinha, ela nunca teria alcançado. A moça teve o seu diploma em mãos.  Além disso, o namorado fez por ela  uma prova que  permitiu que ela entrasse numa grande empresa.  No entanto, a partir daí, a jovem  mudou o comportamento, ignorando, traindo e maltratando o rapaz, o que fez com que ele terminasse o relacionamento.  Dias após o término, enquanto ele ainda chorava, engolindo baba e ranho, a ex-namorada “perfeita” já se encontrava em festas, dançando em braços de outros homens.

Pergunto: será que essa mulher foi fiel ao ex-namorado? Teria ela iniciado o relacionamento com a intenção real e cruel de tirar proveito material, agindo de forma egoísta; e sendo fiel, sim, aos seus próprios interesses?

O egoísmo é um gigante na ruína dos relacionamentos. Alguém que tenha a sua vida orientada sobretudo para a realização de novas experiências e satisfação pessoal buscará alucinadamente o cumprimento dos seus caprichos e dos próprios interesses, esquecendo-se de ser fiel a outrem. É por isso que, no caso de uma pessoa assim, se o ser fiel a uma outra implicar na destruição ou na deformação da fidelidade que tenha a si mesma, prevalecerá a fidelidade a si.

A fidelidade é uma atitude, uma virtude: depende acima de tudo e sempre de uma firme decisão, que respeite os interesses e objetivos de ambas as partes. Ser fiel para com quem se conviva não é somente a emoção e o gosto de se estar com uma pessoa, mas também, o triunfo de deixar de pensar unicamente em benefício próprio, para considerar o outro.

Portanto, lembre-se de que é possível ser fiel a você e à outra pessoa. As duas coisas não podem excluir-se mutuamente, pois a fidelidade traduz-se na alegria de compartilhar com alguém a própria vida, procurando a felicidade, gerando estabilidade e confiança perduráveis, acarretando como única consequência, o amor eterno.

Whitney morreu, e a “culpa” é das drogas não legalizadas…

WHITNEY MORREU, E A CULPA É DAS DROGAS NÃO LEGALIZADASWhitney Houston morreu e antes mesmo que a causa da morte fosse divulgada surgiu à especulação de que a sua morte foi originada por uma overdose, isto é, por uma dose excessiva de drogas, o que é compreensível dado o histórico de consumo de drogas pela cantora. O que eu achei de extremo mau gosto foi o cantor Tony Bennett (no palco da festa do produtor Clive Davis) pedir aos presentes que fizessem uma campanha para legalização das drogas, afirmando que mortes como a da Amy Winehouse e do Michael Jackson (ambos dependentes químicos) poderiam ter sido evitadas caso as drogas fossem legalizadas, citando a Holanda como exemplo e isso deixou-me incomodada.

OK! Que a Holanda tem a política de drogas mais liberal do mundo é de conhecimento geral, a sua famosa Lei do Ópio (ou Opiumwet em holandês) não é recente e sofreu mudanças desde a sua origem até 1976 em que foi mais uma vez editada para incluir as novas alterações entrando em vigor em seguida. Essa legislação tem como base a diferenciação entre drogas de risco aceitável (maconha e haxixe) daquelas de risco inaceitável para a saúde e para a segurança pública (cocaína, heroína, anfetaminas e LSD). O álcool, considerado uma droga de risco alto, é legal e controlado pelo governo.

Dessa forma, é correto dizer que maconha e o haxixe são drogas toleradas (não liberadas porque, por exemplo, não é permitido fumar em lugares públicos) e que as outras drogas (de risco inaceitável como cocaína, heroína, LSD e anfetaminas) são expressamente proibidas e reprimidas, assim como a sua posse, o comércio, o transporte e a produção, visto isso, não consigo entender porque as pessoas insistem em citar a Holanda como exemplo quando falam da “legalização” das drogas.

Até onde eu sei (posso estar enganada) nenhum desses famosos (Elvis Presley, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Michael Jackson, Amy Winehouse entre outros) morreu de overdose de maconha, por isso não entendo porque na hora de promoverem campanhas de descriminalização e despenalização de drogas as pessoas insistem em utilizar a Holanda como exemplo, um país onde as principais drogas (responsáveis pelas mortes por overdose) permanecem proibidas, um país que em que a tolerância ao uso da maconha, que mirava a redução da criminalidade, prevenção da dependência química e segurança da sociedade, teve o efeito contrário do que inicialmente foi almejado, visto que uma das consequências mais terríveis da permissão do uso da maconha foi o crescimento exponencial da criminalidade. A situação é tão alarmante que desde 2008 a Holanda tem planejado mudar a sua politica de drogas; o governo holandês pretende endurecer a lei proibindo as famosas growshops (lojas onde os clientes podem comprar sementes e outros artigos para cultivar maconha dentro de casa), assim como impossibilitar o cultivo caseiro da cannabis impondo duras sanções a quem não obedecer à legislação.

Essa necessidade de mudar a politica de drogas repentinamente deve-se ao fato de que não só o crescimento da criminalidade é assombroso, mas também, porque desde 2002, a quantidade de jovens viciados quadruplicou havendo necessidade de construção de mais centros de tratamento para atender a demanda, mas você provavelmente não sabia disso, assim como o Tony Bennett.

Não obstante eu poderia escrever por horas a fio sobre a legalização das drogas na Holanda e como isso fracassou, ainda assim, apesar da realidade por muitos desconhecida (por mim apresentada nos parágrafos anteriores) iriam aparecer vários Tony’s Bennett’s a favor dessa legalização citando o que acreditam ser êxito da Lei do Ópio holandesa, achando que a legalização das drogas iria evitar mortes por overdose, o que não passa de uma hipocrisia, pois jamais esses famosos que insistem em se drogar iriam assumir o vicio, e sim, iriam continuar escondidos e se esgueirando pelos cantos para obter drogas e não ir aos médicos como sugeriu Tony Bennett na sua nada sábia defesa de legalização das drogas ou você acha mesmo que  a finada Janis Joplin iria com seu kit de drogadição para a fila das salas especiais para viciados para injetar heroína sob supervisão médica? Bem, eu acho que não…

Lista com alguns famosos que morreram de overdose:

Amy Winehouse (2011)
Billie Holiday (1959)
Elis Regina (1982)
Elvis Presley (1977)
Heath Ledger (2008)
Janis Joplin (1970)
Jim Morrison (1971)
Jimi Hendrix (1970)
Marylin Monroe (1962)
Michael Jackson (2009)
Paul Gray (2010)

Janeiro, Fevereiro e Março – A praga do BBB

JANEIRO, FEVEREIRO E MARÇO – A PRAGA DO BBBOs Reality shows – programas baseados na vida real – foram crescendo em popularidade com o passar dos anos e parece que essa tendência não irá abrandar, não tão rápido quanto gostaríamos. A verdade é que esses reality shows parecem se multiplicar semana após semana, aparecendo com conceitos diferentes. É rara a rede de Televisão que não tem um reality show em sua programação, e por, mais que exista uma massa que não vive sem este tipo de programa, ainda existem algumas pessoas como eu, que “odeiam” essa tendência.

Eu seria hipócrita se dissesse que odeio todos os reality shows – aliás, odiar é uma palavra muito forte, digamos que eu não gosto deles – mas para ser honesta eu até assisto um ou outro quando cruzo com eles enquanto troco de canais, assim como The Aprenttice (O Aprendiz) exibido atualmente pela Sony Entertainment Television; Top Chef exibido pela Bravo TV, ou até mesmo o What Not to Wear exibido pela BBC.

A questão é que os reality shows referidos anteriormente, apesar de na sua essência premiarem acontecimentos que retratam o fruto da realidade (não vou entrar no mérito dos scripts e das farsas), e visarem historias reais, não são tão medíocres quanto o Big Brother, que no Brasil atende pelo nome de Big Brother Brasil, vulgo o BBB.

O “Grande irmão” mais conhecido como Big Brother criado pelo holandês Johannes “John” Hendrikus Hubert de Mol, que tem como base no romance escrito por George Orwell é um programa que tem como alicerce a constante vigilância de pessoas reclusas sem contato com o mundo exterior. No Brasil tem duração de cerca de três meses e o grupo participantes (em regra menos de 15 pessoas escolhidas por um processo que de seletivo nada tem e bastante duvidoso) são tão anódinas quanto o programa em si, são pessoas que alguns chamam de “polêmicos” eu particularmente chamo de fúteis e inúteis, pois eu não sei como garotas de programas e atores pornôs não assumidos podem acrescentar algo a minha vida cultural. Tampouco machistas e homofóbicos.

Repleto de participantes ordinários, duvidosos lutando por minutos de fama, aos quais não fazem jus de modo algum, o BBB é o ponto mais baixo que a indústria do entretenimento já chegou, é uma apologia à mediocridade (palavras de Paulo Schimdt), que permeia a falsa moral daqueles que assistem. E esse é outro problema, outra praga, a dos fãs desse programa sofrível, meão. Mas, também com o marketing que a respetiva rede de televisão faz como podem as pessoas não ficar curiosas e até mesmo assistir? Começa nos intervalos dos comerciais, do telejornal, na internet e por aí vai.

Assim, é quase impossível ficar-se isolado e alheio a essa frivolidade que ocupa a vida de milhares de fãs de Janeiro a Março. Afinal, aqui entre nós, você pode até não assistir a esse monte de dejetos, mas sim, você sabe quem foi o campeão da última edição! Eu sei quem foi e eu nem o canal onde passa essa mediocridade assisto, MAS seus amigos assistem, seus colegas da faculdade comentam, seu Facebook e Twitter são inundados por posts e por aí vai.

Mas, tudo bem eu até entendo que uma grande parte da população brasileira goste e ostente tal programa. O que me deixou com os cabelos em pé literalmente, foi quando em Março de 2011 descobri que o fanatismo a esse programa que agora me recuso a escrever o nome, ultrapassava fronteiras. Como assim ultrapassa fronteiras?  Você deve estar se perguntando… Simples, com o advento da Rede Internacional de TV (a partir de satélite), essa mediocridade é exportada diretamente para a TV de angolanos e portugueses, que passaram a idolatrar tamanha futilidade, transformando esse reality show numa praga que está longe de ser contida e exterminada, por isso prepare-se, pois Janeiro vem aí, com mais uma edição do Big “Bosta” Brasil para deliciar os olhos de outros tão medíocres quanto os participantes do programa.

Vídeo da saia justa do Pedro Bial com Boni no programa “Altas Horas”

Ano novo vida nova – A santa promessa anual

ANO NOVO VIDA NOVA - A SANTA PROMESSA ANUAL“Ano novo, vida nova” é o que você ouve e diz todos os finais de ano, sem sequer refletir sobre o verdadeiro valor de tal frase. A santa promessa, anual, de que no novo ano tudo será diferente, de que o “velho” dará espaço para o “novo” não é mais novidade. E com a cabeça transbordando de ideias você, eu e muitos outros passamos os últimos dias do ano ansiosos, com o começo do próximo, para cumprir tal promessa.

A maioria esmagadora inicia o novo ano com a auto-análise debitando os fracassos e as decepções do ano que passou, e creditando no ano novo a esperança e os sonhos. Muitos ficam tão envolvidos com o ditado, em questão, que chegam a fazer listas com metas profissionais, amorosas, dietas, etc., que dificilmente saem do “papel”; isso para não dizer, do arquivo de texto do computador. Outros mais empenhados – uma minoria – imprimem, recortam e carregam o cardápio de objetivos, na carteira, como amuleto da sorte, para não esquecerem.

A realidade é que, os meses vão passando e, nos distanciamos, cada vez mais, do que nos propusemos, no final do ano anterior, e concluímos que sim, o ano é novo, mas a vida é a mesma; os horários de sono permanecem trocados; as bebedeiras e ressacas são iguais ou piores que as passadas; a infidelidade e deslealdade ainda se fazem presentes, entre os que mais amamos – assim como a despesa, mensal, da academia que jamais fomos, a dieta que também não conseguimos cumprir. Isso para não falar daquela promoção no trabalho que o chefe prometeu e vive sendo adiada.

O problema é que, quando finalmente nos apercebemos disso, adivinhe só? O ano já terminou e mais uma vez você, eu e muitos outros entendemos que de nada serviu deixar as decepções e os fracassos no passado, porque eles fazem e sempre farão parte da nossa vida e que a vida é feita de altos e baixos. Ainda assim, seguimos em frente e, mais uma vez, com a proximidade do “novo” repetimos a santa promessa anual e nos obrigamos a acreditar pela milionésima vez no ditado: “Ano novo, vida nova”.

Mas por que isso acontece? Por que acreditamos que, no início de cada ano, será possível “formatar” o passado e nos reinventarmos através de metas pré-estabelecidas? Será cultura de renovação da nossa sociedade, essa teoria de mudança ilusória que se repete ano após ano e apenas nos certifica de que as metas nada mais são que fantasias.  Você não acredita que antes de se debruçar sobre metas e promessas, deve se questionar sobre o seu desejo de mudança?

Pois bem, não sou especialista no assunto, mas, por experiência própria, sei que o anseio de mudança deve ser verdadeiro, real. Você precisa querer tornar-se diferente – física ou moralmente – para que tal mutação aconteça, de forma qualitativa e significativa, na medida em que você pode até traçar metas, mas se não tiver coragem de olhar para si mesmo e se permitir mudar; simplesmente repetirá os mesmos erros do passado, não obtendo o que você planejou.

Como você pretende levar algo adiante, se a sua atitude, o seu comportamento; permanecem os mesmos? Você apenas buscou uma inspiração externa para conseguir algo, não fazendo o mais importante que é a mudança interna lenta e gradual.

É por isso que o processo de transformação deve partir de dentro para fora e não de forma contrária, pois você pode até conseguir alcançar um objetivo ou outro, mas digo-lhe: as chances de manutenção serão nulas. Você não se preparou para isso. E, assim, acabará por acumular um fracasso atrás de outro. Não é isso que você quer. Afinal, embora saiba que aquelas decepções e fracassos do passado o tenham trazido até este ponto e tenham, de alguma forma, contribuído para a pessoa que é, devem ficar para trás permitindo uma abertura para o novo, para o futuro.

Você não pode querer ser diferente por ninguém e para ninguém, a não ser para si mesmo. Não deve seguir a tendência de “todos” com a criação de metas ou prática de mandingas, muito menos atribuir tal transformação à passagem do ano; você deve, sim, mudar em cada oportunidade e possibilidade cotidianas, relembrando, sim, os insucessos, mas colocando em prática o que aprendeu com eles e, acima de tudo, parar de repetir “Ano novo, vida nova”, a cada novo ano que se inicia. Acho mesmo que, só assim, esse anexim, essas palavras ao vento, poderão se transformar em realidade e você, eu, nós consigamos uma “vida nova”, o ano inteiro e não apenas uma santa promessa anual.

Não sei se real ou, apenas, imaginário, o ano novo renova as energias, mostra que pudemos novamente iniciar um caminho de sucesso. Agora, sejamos pragmáticos: Como querer que tudo seja bom, se não trilhamos este caminho no nosso dia a dia? Não lembro se Sócrates ou Maomé, mas já haviam dito: “As escolhas que você fez no passado, te trouxeram onde você está hoje. Mas as que você fizer, agora, te levarão a um futuro que você nunca imaginou”.

Afinal, como já lembrou o poeta Carlos Drummond de Andrade, na sua Receita de Ano Novo:

“Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre”.

*Agradeço as sugestões e opiniões dadas por Vicente Freitas no desenvolvimento desse artigo.

Por que não podemos simplesmente nos formatar?

PORQUE NÃO PODEMOS SIMPLESMENTE NOS FORMATARApercebi-me que, por mais lembranças que tenhamos, sempre nos remontamos às recordações mais tristes ou que nos fazem sofrer. Algumas nos conseguem transportar a lugares onde estivemos no passado, coisas que vivemos. Por vezes, também acordamos imagens adormecidas. Infelizmente, a memória não se apresenta a nosso bel-prazer. Por conseguinte, vamos tentar compreender um pouco mais sobre o conceito, sua forma de funcionamento e o que a ciência nos reserva para o futuro.

O conceito “memória” pode ser confuso e complexo, variando com a especialidade a ser aplicado. Desta forma, vamos analisar o termo, inicialmente, em lato sensu.

A palavra “memória” vem do latim memória.  Significa“lembrança”, “recordação”, “reminiscência”. Trata-se da faculdade de reter as ideias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Consiste na capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações disponíveis no cérebro. Tem como foco coisas particularizadas, necessitando de grande energia mental.  Deteriora-se com a idade. De acordo com estudiosos, a memória é o principio do conhecimento.   Portanto, deve ser treinada e estimulada, com o objetivo de formar novas ideias e acumular experiências, permitindo-nos tomar decisões diárias.

Existem basicamente dois tipos de memória:  a declarativa, que se subdivide em imediata, de curto prazo e de longo prazo. A outra é a memória de procedimentos. Esta última seria a capacidade que temos de conservar e processar informações que não possam ser verbalizadas. Tem maior estabilidade, apresentando menor grau de detrimento. Um exemplo característico desse tipo: quando aprendemos a andar de bicicleta, mesmo se ficarmos anos e anos sem andar, não perderemos a capacidade de fazê-lo. Verdade que, até andarmos em linha reta de novo, estaremos susceptíveis a alguns tombos; mas, o fato é que uma vez aprendido, não esquecemos.

Esclarecendo um pouco as subdivisões da memória declarativa: a imediata é aquela que tem duração de frações de segundos, como a repetição do número de telefone, imediatamente após ser ouvido. Este acontecimento é esquecido depois de um determinado tempo, uma vez que este tipo de memória tem limite na sua duração e pouco “espaço” de armazenamento. Porém, não vamos confundir com a de curto prazo que, retendo algumas informações, demora algumas horas.  Por isso, somos capazes de nos lembrar do que vestimos no dia anterior: assim, não vale ficar dois dias seguidos com a mesma roupa, sob a alegação de esquecimento.

Chegamos agora à memória de longo prazo, a que pode nos causar tormento ou alegria, por dois motivos: além de ter duração de meses, anos ou ilimitada, também tem capacidade de armazenamento sem fim. É aqui que se encontram as lembranças da nossa infância, do que aprendemos na escola ou da morte de um ente querido. Nela, residem lembranças boas e ruins, algumas que gostaríamos de guardar para todo o sempre; e outras, que preferiríamos esquecer ou simplesmente apagar.

Bom, eu não sei quanto a vocês, e pode até soar engraçado, mas confesso que já pensei várias vezes que gostaria de me formatar. Sim, isso mesmo, como se fosse um computador: deletar da memória tudo o que é desagradável.   Embora, eu até ficasse feliz em organizar a minha memória em pastas, e apenas utilizar o sistema de arquivo oculto.  Você já parou para pensar nisso? Por que não podemos simplesmente nos formatar?

Um pouco de esperança: cientistas, através de testes realizados em ratos (para variar), comprovaram que é possível fazer com que o cérebro apague lembranças indesejáveis. E sabem o que é melhor? Os ratos que receberam injeção, com fim de apagar o que haviam aprendido, foram capazes de aprender novamente, mostrando que o procedimento não causa problema algum à memória.

Agora pense… Não seria maravilhoso excluir da memória uma despedida triste? O fim de um relacionamento fracassado? A morte de alguém?  Uma traição? Eliminar de vez um comportamento corrompido, não aceito pela sociedade; como, por exemplo, um vício? Se fosse possível, você se disporia a receber injeções no cérebro para tal?  Pois bem, os cientistas garantem que os resultados obtidos com os testes nos ratos possam ser semelhantes nos humanos.

Assim sendo, se você respondeu de forma positiva à última pergunta, inicie a sua lista e anote os momentos que você removeria da sua memória, antes que se transformem numa vaga lembrança.

Iniciei a minha, mas, aprofundando o meu pensamento, questionei-me: será que eu seria mais feliz destruindo as más recordações? Isso não seria uma fuga da realidade? Essas lembranças realmente afetam tanto o meu dia-a-dia, ou, ao contrário, enobrecem a minha vida? Por enquanto, decidi rasgar a lista. Não quero cometer os mesmos erros do passado, apagando experiências de vida, que a minha memória insiste em guardar como inesquecíveis. E quanto a você?

Coração quebrado ou Mente quebrada?

CORAÇÃO QUEBRADO OU MENTE QUEBRADAA expressão coração quebrado é trivial para aqueles que sofrem, já sofreram ou até mesmo sofrerão desilusões amorosas (ninguém está livre disso).  Portanto, todos nós já dissemos, pensamos, ou ouvimos incessantemente fulano dizer que “está de coração quebrado” ou que “sicrano quebrou o meu coração em pedaços”.

 Após escutar vezes sem fim tais expressões, decidi perguntar por quê. Por que o coração é o órgão eternamente ligado ao amor?  Por certo, ninguém associaria o amor a um órgão qualquer, como o intestino, por exemplo, cuja função está vinculada à eliminação das fezes.  Porém, por que não unir o amor ao cérebro?

Por outro lado, não pensemos que a aliança seja recente. Nas culturas mais antigas, o coração já se encontrava ligado às situações de cunho emocional, pois além de não conhecerem a função do cérebro, o coração era o único orgão cujo funcionamento variava de acordo com as emoções. Os antigos romanos tinham a certeza de que a memória tinha assento no coração. Da mesma forma que os hebreus pensavam que a consciência estivesse nos rins. Maravilha não? Continuando, que tal fazermos uma comparação entre o coração e a mente, para mais esclarecimentos?

O “coração” é um vocábulo de etimologia incerta. Do latim cor, cordis, desenvolve-se para cordial, acordar, discordar, recordar, recurso, coragem e misericórdia. Aliás, “recordar” é fazer passar novamente pelo cor.  Por outra parte, do grego kardia desenvolve-se para cardíaco, cardiograma, endocárdio, pericárdio e outros termos médicos.

Metaforicamente, pode ser considerado como a sede dos sentimentos, das emoções, até mesmo da consciência; mas, apenas de forma figurada.  Quanto à anatomia, o coração é um músculo oco; o órgão central do sistema circulatório, sendo responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo organismo.

Por sua vez, a palavra “mente” vem do latim mente, de mens, “espirito”, “intelecto”, “pensamento”, “entendimento”. Em lato sensu, seria o estado da consciência ou subconsciência, relativo ao conjunto de pensamentos.

De acordo com a jornalista norte-americana, especializada em ciência,  Sharon Begley “O cérebro é a estrutura física, o pouco mais de 1 quilo de tecido biológico dentro da cabeça. A mente é o resultado do funcionamento do cérebro: os pensamentos, os sentimentos e as emoções”.

Já para o dicionário técnico de psicologia de Álvaro e Nick (1979), mente “é o sistema total dos processos mentais ou atividades psíquicas de um indivíduo”.

Observando e comparando os conceitos acima, faz-se perceptível que o “amor” existe na nossa mente; não, no nosso coração. Tudo bem, todos sabemos: sempre que estamos dominados por uma forte emoção, como de amor e prazer, os batimentos cardíacos se alteram. No entanto, isso não significa que o coração seja a sede do amor. Se pensarmos assim, qualquer dia aliaremos o amor aos genitais, não? Afinal, os genitais também passam por alterações em decorrência das excitações provocadas pelo sentimento.

Por fim, investigadores da Universidade da Flórida, nos EUA, especialistas em neurociências, conseguiram provar que o amor está no cérebro e não no coração.  E, segundo alguns pesquisadores, em breve será possível treinar o cérebro para aumentar a felicidade e a compaixão.

O que me intriga é: por que nós, em pleno século 21, acostumados com novas descobertas, insistimos em utilizar conceitos, mantidos durante séculos como únicos, que não correspondem à realidade? Por que não dizer que “fulano quebrou a minha mente” ou que “sicrano deixou a minha mente em pedaços”? Que tal um pouco de realidade?  Então, paremos de acusar o pobre coração, cuja função é limitada, valorizando mais a nossa mente.

Eu vou ligar…

EU VOU LIGARVocê sai para a noite, encontra aquele homem maravilhoso, vocês se entrosam de primeira, conversam feito quem se conhece há anos. Trocam carinhos, abraços; por vezes, algo mais. Até que chega uma determinada hora, ele pede o seu número: diz que vai ligar. No dia seguinte, você aguarda ansiosa que o telefone toque. Se ocorre, sente aquele friozinho no estomago, seus batimentos cardíacos aumentam; você inspira, expira, deixa tocar mais um pouco, para não demonstrar ansiedade.  Quando finalmente atende, não é ele. Você ainda espera um dia, dois, três, uma semana… até que se convence, ou pelo menos tenta  convencer-se, de que ele não vai ligar.

Existem várias teorias espalhafatosas (a que não farei menção, para não desconsiderar os seus autores) que buscam explicar essa atitude do sexo masculino. Em lugar de citá-las, decidi ir diretamente à fonte, isto é, perguntar a dez homens o que os levava a fazer isso. A princípio foi custoso obter respostas sinceras; mas, conversa vai, conversa vem… Entre um drinque e outro, resolveram falar.

Cinco reconheceram que não ligam propositalmente. Não querem parecer apressados, acreditando que isso desperte mais o interesse da mulher. Já dois afirmaram que se a moça não for interessante e atraente, pedem o telefone para “dar pedido” e se “verem livres” na noitada para “pegar” outra; só entrarão em contato com a desinteressante em última opção. Um declarou firmemente que só pede o telefone por questão de educação.

Quanto aos dois restantes, disseram que sempre ligam.   Afirmaram que até chegam a sair.  No entanto, depois elas falam que vão ligar, e não ligam. Foi nesse momento que as coisas se complicaram! Esses dois entrevistados quiseram saber por quê.  Como eu não sabia o que responder, então questionei se eles tinham alguma ideia do motivo. Um disse “não sei”. O outro… Acreditem, mulheres, vocês não vão gostar de ler. Ele simplesmente declarou: “Mulher tem problema e nunca age com a razão”, preferi ignorar, mas tinha de citar.

Não fazia a menor ideia de que o sexo feminino também tivesse adotado essa “estratégia”. Muito intrigada, saí perguntando para as mulheres, visando elucidar-me a respeito. Agora, eu precisava entender por que ELAS não ligavam.  Com respostas diretas e sem rodeios, a campeã foi: “Perdi o interesse após o encontro”, seguida de “Não queria pegar no pé”.  Para finalizar: “Não tinha nada para fazer naquele dia”.

Sem grandes conclusões, cada vez mais confusa, decidi formar a minha opinião com relação ao assunto, e perguntar: por que tanto eles quanto elas dizem que vão telefonar e não o fazem? Afinal, o comportamento deixou de ser uma característica do universo masculino apenas; sim, de ambos. Então, aqui vai: Acredito que eles e elas não ligam por vários motivos.  Por exemplo, não estavam interessados e nunca estiveram – já conseguiram o que queriam; daí, perderam a graça.  Outro: sabem que não vão conseguir o que desejam; desse modo, “partem” para nova pessoa.   Mais um: incompatibilidade de interesses (um quer namorar, enquanto o outro procura apenas diversão).  Também, quando um deles ou ambos já são comprometidos anteriormente.  Por fim, é claro: EGOÍSMO, FALTA DE EMPATIA E FALTA DE RESPEITO. Sim!

O termo “egoísmo” vem do francês égoïsme; significa amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios.  Em oposição a essa ideia, temos os conceitos “empatia” e “respeito”.   De acordo com o dicionário Aurélio, “empatia” origina-se do inglês empathy;.seria uma “tendência para sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa”. Para finalizar, a palavra respeito, oriunda do latimrespectu, traduz:  “1. Ato ou o efeito de respeitar(-se). 2. Reverência, veneração”. Em certos aspectos, o respeito manifesta-se como um tipo de ética ou princípio, tal como no preceito habitualmente ensinado de “[ter-se] respeito pelos outros”.

O que esperar de uma pessoa, quando constatamos que é egoísta, que manifesta um amor exclusivo e excessivo por si; que subordina o interesse de outrem ao seu próprio; que não é empática, com o agravante de sofrer da ausência de respeito,  sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém. Como podemos esperar que pessoas assim liguem? Seria totalmente inconciliável e entraria em contradição com as acepções que acabamos de estudar. Então por favor, homem ou mulher, egoísta, com falta de empatia e respeito, tenha o mínimo de decência. Assuma que “não vai ligar”; que nunca teve semelhante propósito; ou, simplesmente, não peça o número; muito menos, por mera “educação”.  E, o mais importante: EXCLUA do seu vocabulário a falsa promessa “Eu vou ligar”.