Por quê?

Procuro-te tanto porque
A veemência e o doce dos nossos beijos
Hoje têm o gosto amargo da saudade.
As risadas ingénuas, alegres e sinceras
São agora como o êxtase dos mortos:
Silêncio puro.
E os nossos corpos nus, ardentes, perfeitos?
Ah! Esses pobres! Desonrados, excitados,
Também não se fundem mais.
Assim como nós, são apenas
Dois estranhos; velhos amantes esquecidos.
Nossos desejos viraram repulsa, nojo.
A Intimidade ganhou o nome de solidão.
A paixão não se empresta mais a nós,
Amor transformado em cólera, infortúnio.
Vida infligida, fraudada, penitência miserável.
E tu ainda me perguntas por quê?

Pensa Bem

Por que partiste sem dizer, não sei.
Saíste, com a mala, de improviso.
Por que fiquei sem saber, não direi.
Mas uma coisa, meu amor, aviso:

Não me voltes sem paixão por mim nova,
Não ouses buscar-me sem objetivo.
Corres risco de levar grande sova;
Uns certeiros pontapés com motivo.

Tua vida interesseira seguiste.
Meu modesto destino abandonaste.
Nossos sonhos, planos e amor mataste.

Se porventura quiseres voltar,
Pensa bem, para não ficares triste:
Posso, até, ter deixado de te amar.

Quando amamos

Quando amamos,
Cometemos loucuras.
Não ouvimos sequer
A voz da consciência,
Partimos para aventuras.

Cegos, surdos e mudos,
Não temos hora nem pressa.
Só vivemos para aquele mundo,
Até fazemos promessa.

Quem ama,
Chora e sorri de felicidade,
Sente saudade de tudo
Do primeiro olhar, do primeiro beijo
Do primeiro encontro; em tudo
Vê o presente, o passado e o futuro.

Quando amamos,
Praticamos todos os verbos,
Que a vida ensina.
Mas, começamos sempre
Pelo primeiro…
AMAR.

Esta noite

Esta noite,
Quero-te amar
Roçar teu rosto no meu.
Abraçar-te no orvalho,
Os teus cabelos afagar.
Na areia,
Nossos corpos rolar
Escutar a teu lado
O bater das ondas no mar.
Esta noite
Quero teu corpo sentir.
Feito melodia,
Teus gemidos ouvir.
Porque…
Esta noite é só minha.

Cantos

Apesar de tanta paixão e afeição que me dás,
De tamanho desejo e amor que me destinas,
Inda é a solidão que grita por todos os cantos.
É a agonia de sofrer, ainda que acompanhada.
É o isolamento que se transforma em prantos.

Mesmo que todo teu sentimento me entregues,
Que tua sina e vida a mim cegamente confies,
Inda será a solidão que gritará por todos os cantos.
Será a infelicidade de te ter, sem te querer;
E de amar, vivendo e desejando quem não me quer.