Por Teresa Almeida

Abrigo de Poetas

Aberto à musicalidade das palavras
Velharias com sons de noite e brilho de estrelas
Partituras finas inspiradas em luares
Versos sussurrados na suavidade de sedas
No salão, o velho piano de teclas gastas

Casarão abandonado ao sonho
Abrigo de poetas sem telhas ou fechaduras
Janelas escancaradas num vão de infinitos
Perfumes de maresia soltos na colina
Gaivotas estremecidas em abafados gritos

Saudades pousam nas gelosias magoadas
No cheiro a madressilva preso às paredes
O tempo dança uma intemporal valsa
Numa repercussão de mar e céu
Esventrando um piano de cauda.

Ousadia

Deambulou a noite
nos livros que amei.
Pedras preciosas
eram os títulos
onde o sentimento se espraiava…

No gume de cada página
era exótico o perfume
que o verso respirava.

Na avidez de pétalas presas
havia palavras acesas
entre as quais me evadia.

Ganhou vida a própria voz
nas asas da madrugada
em inusitada ousadia

Em franjas ficaram os sonhos
pendurados nas lombadas.

*Teresa Almeida, portuguesa nasceu na freguesia de Lagoaça. Estou na Escola do Magistério Primário de Vila Real e no Instituto Superior de Educação e Trabalho. Exerceu atividade profissional, primeiro, como docente do Ensino Básico e, alguns anos mais tarde, como Subdelegada da Delegação Escolar de Miranda do Douro. No seu universo cultural, a arte e a poesia, nas suas mais diversas formas de manifestação sempre se encontraram e dialogaram. A dança, a pintura, a poesia conjugam-se nela em rasgos de caráter e grandeza que dão expressão e força ao seu sentir.