Por Ednaldo Vieira Do Nascimento

A Tarde

A tarde arde,
Com o sol que impera,
Aquecendo a vida,
Para o amanhã.

A tarde dança
E o vento balança,
A trança da menina
Que rodopia,
Pelo roseiral.

A tarde é louca,
Ao se despir inteira
E passear na rua,
Ofertando rosas
Aos transeuntes.

A tarde é breve
E escreve lendas
Nos portais do tempo,
Para o seu Amor.

O Silêncio

O silêncio bate à minha porta,
Ele vem falar-me coisas,
Perguntar outras …

O silêncio penetra minh’alma
E traz consigo o seu oposto:
É rosa e caos, é dor e luz;
Mais caos que rosa,
Mais luz que dor.

Vou à rua escuto passos:
É o silêncio.

Vou dormir, fecho os olhos
E vejo o silêncio.

Vou a Londres, New York, Tóquio,
Quem encontro? Ele, o silêncio.

O silêncio está no mundo, esparso.

E o mundo inteiro está dentro de mim!

Outros Tempos

Mil anos se passaram
E eu te encontro, agora.

No rosto o mesmo riso,
Na mente convicções,
Atitudes nos gestos
E inconfessáveis desejos
Do teu âmago afloram.

Quantos séculos ainda serão necessários
Para que o mundo, a tua palavra possa decifrar?

O tempo,
Este senhor que nada perdoa,
Quer ser para ti: maternidade
E ora te estende a mão.

Procurar te entender
É água em pedra
E ao estar contigo
É Melhor ser resposta,
Que pergunta,
Pois que de teias são feitos os teus sentidos.

E nada é tão vão
Quanto te apontar caminhos,
Sabes tú, quão bela é a magia da busca,
Por onde vagueias,
Carregando tuas incertezas
E a (im)precisão dos teus afetos.

Vai, segue a tua estrada
De luz refeita.

Pinta a cara do universo
Com as mil cores da tua era.

E sonha…

Revolução

O que somos:
Pergunta ou resposta?

Em que cremos:
Em mim, em ti ou em nós?

Somos papel em branco
Quando o tempo
É quem manipula a pena ;

Somos resposta à pergunta
A qual não conhecemos;

Somos andarilhos
Da trilha tênue da paixão.

Miro os teus olhos
E digo:
-Eu te amo.

Tocas o meu corpo
E, em silêncio, me dizes:
-Eu te amo.

O Amor em mim, em ti
Modifica nossas vidas.
E juntos:
Eu, você e o Amor,
Transformaremos o mundo.

Tempestade e Calmaria

Às vezes a vida parece uma náu,
Deslizando num mar de almirante,
Noutras uma embarcação à deriva,
Perdida na imensidão das águas
E do tempo.

Nosso amor, qual a vida,
É tempestade e calmaria.
Há momentos que nossos corpos
São guiados por astros: Estrelas e luas,
Nenhuma crista em nosso mar,
Só cristais e harmonia.

Noutros,
Navegamos contra a maré,
Sucumbimos na turbulência
Das palavras ditas e inauditas.
É que o silêncio, causa dores
Tão profundas, quanto o mar.

Este mar misterioso, cheio de perigo,
Qual o Amor.

*Ednaldo Vieira do Nascimento, cearense de Maranguape é formado em Educação Física. Poeta é autor do livro de poesia Labaredas (1995); do romance infanto-juvenil A Lenda da Pedra Acorrentada (2006) livro ganhador de Prêmio de Literatura Infantil SECULT-CE, II Edital de Incentivo à Cultura; e do livro Onde Nasce a Poesia – Cenopoesia para crianças (2011).