Por Pintor de Letras

Boneca de Trapo

Minha boneca de trapo.
tao suave e fina como areia,
que carregas em ti, minha sereia,
não es loira nem magrela como a barbi
pois nem eu sou príncipe, se não sapo,
que cabe a ti transformar-me em teu baby,
não existimos em contos de fada,
nem nossa estoria terminam como elas,
minha boneca de trapo, minha amada,
de corpo esbelto a meus olhos, es alem das cinderelas,
carregas tecidos de vivas cores,
tao sensível ao toque,
verdadeiro batuque,
Assim meu eu, quão disponível a seus amores,
Minha boneca de trapo,
de panos ao vento levados ate si,
sorte de quem da vida não teve outra sorte,
pois alem de si, apenas dividida entre si,
desejos que a cobiçam pra corte,
o destino que a rouba da morte,
se em meus braços estais,
amor e vida será nossa ponte cais.

Carta a minha mãe

Mãe querida mãe, minha Mãe!
Noites em claro por mim suportaste,
luxo, etapas em sua vida cortaste,
pra ver-me tornar homem,
magoas causei, me arrependo e digo amém,
feito algum, devolve tamanho afeto,
que impinges por mim mesmo ainda feto,
longe dos teus abraços,
venço cada obstáculo por seguir teus traços,
és santa,minha mãe, não importa,
o mar de pecados que carregas, es minha porta,
segura, pra vida, te peco que nunca a fechas,
se a vida de ter motivos, como flechas,
que não regressam depois de lançadas,
meu amor por ti só cresce, metas serão alcançadas,
por que existes, porque és minha mãe, mãe querida,
a distancia me causa ferida,
saiba que ainda que eu cresça, me torne considerável gente,
ao teu lado sou mera criança inocente,
Minha professora, meu manual de vida,
minha profetiza, de experiência vivida,
a idade despiu-me a vergonha,
e hoje choro sem tréguas pela tua ausência, feito cegonha,
que vive migrando, meu coração a ti se migra,
mãe es a verdade mais certa,
que dissipa as duvidas, es minha seta,
Te amo, Mãe!
Hoje e por todo sempre.

Escrito por teu filho que te Ama.

Não Senti a Vida

Noite escura por luar iluminada
Manha cinzenta por flores perfumada
Tarde aberta com sol sorrindo pela sua graça
Homens embebedados na gandaia da própria andança

Não pare… a vida não descansa!
Vozes em coro ecoam na mente humana
O tempo a ninguém perdoa, só nele emana
O sucesso de uma vida já sem engraça

Cegamos as cores do arco íris em arco
Pela atenção na práxis, feito barco
Desaparecendo no horizonte
Distancia-se a natureza pra la do monte

Quem enxerga o sol beijando o mar
No entardecer de um dia apaixonante?
Quem inala o cheiro perfumante
Da chuva banhando a terra no seu amar

Quem se define no seu respirar
Movidos nos passos da caminhada ao espairecer?
Quem se mergulha na liberdade da brisa interior
E se descobre no riso das a ursa maior
Geração condenada ao epitáfio
Não sentiram a vida!

Palavras ao Vento

Corre o vento corre o dia,
vem a chuva e com ela as lágrimas em melodia,
que sejam de felicidade ou de virgem emoção,
a correria da jornada não nos permite reflexão,
a noite chega trazendo a saudade do leito,
a madrugada se vai despercebida e sem jeito,
pois há muito deixou de ser inspiradora,
viramos o dia viramos a noite so nos resta a hora,
aquela do deveria fazer, e tenho que fazer,
esquecido o sabor do alimento pela pressa do imediato prazer,
o amor esculpido nas mais belas mentiras,
o opróbrio do humano mesclado nas sátiras,
verdade transferida do eu ao oculto
cujo o caminho so acha quem a ditos não faz culto.

Ser e o Desejo

Desejo e tao intenso
Que quando chega eu pouco penso,
Certo do errado,
Mas vencido pelo invenenado,
Minha morte moral e certa,
Minha luta interna ainda e minha meta,’
Derrotado pela realidade,
Motivado pela mocidade, ‘
O alem ja não e meu farol,
Como peixe preso a um anzol
Se o pescador for o tempo,
Que o meu destino a ti se entrega,
Se meu eu ignoro,
A que moral me apego, a quem peco socorro,
A certeza do que fui, e vencido pela verdade do que não sou,
Sou o passado? O presente? Ou apenas o desejo se ser?
Manso nas horas frias, colérico nas horas ensolaradas,
Fiel no pensamento, infiel nos desejos
Santo em oração, pecador em cada acção.
Sou movimento, que não se prende,
tenho desejos que não se mede,
vou alem do que me pede,
sou ser da insaciável sede do vir a ser.

*Tomas Mambo, cabindense reside em Criciúma, Santa Catarina. É bacharel em Filosofia pelo Polo Universitário Salesiano e cursa Psicologia na Unesc onde faz  pesquisa em Psicologia Ambiental. Envederou-se pelo mundo da poesia em 2005 por iniciativa de amigos nos seus momentos recreativos. Atualmente seleciona alguns dos poemas para integrarem o seu livro de estreia de poesia.