Por Rui Nogueira

O Café da Manhã

É manhã: desperta! Célere e lépido dirige-se
Ao fogão. Num sofraldar em ludo mirífico,
Nos cabedais sob a celagem austral, como que tremulam
Galhardetes; uma irisante flama aguça o cachão!

Olhando aqueles mais pequenos grânulos,
Recorda-se, num momento, das camândulas dedilhadas, quando
Das preces. Entorna, então, a colher, túmida, sobre o hiante
Recipiente; sob o aroma do Bourbon, que viceja e envolve
O ambiente. Pensa contrito, na coloração:

Tons carmins, púrpuros, lilases, brunos, acastanhados;
Assim como um jardim perene, de agapantos, gérberas, ísias,
Copos-de-leite, que se mesclam num cromo – um deleite –
Os tenros grânulos que na fervura são banhados.

Insuflados – tingem-se as cristais.
Na estrênua e cálida, emerge e espuma, depois filtra-se e adoça-se…
(Com ternura e métodos ancestrais);
Sorve-se, aos goles, em renovado clímax,
Este néctar, indigno dos mortais.

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