Por Sônia Arruda

Teus Versos, Tua Morada

Tentastes te esconder nos poemas
Mas te descobri além do repertório
Só na medida em que tu escrevias
Como espécie de metáfora, existias

Das palavras bem arrumadas
Eras meu entendimento generoso
(cocriação de minha imaginação
produção do meu eu desejoso)

Por que adivinhar as próximas páginas
Se devia, simplesmente, observar
Sentir os sentimentos espelhados
E a sutileza das imagens respirar?

Percebo que foi errado o encontro
Deverias somente no lirismo residir
A beleza do universo está no mistério
E não nessa coisa banal de existir

E esse tu que habitava os poemas
De forma impiedosa se dissolveu
Na realidade nua da luz do dia
O olhar desperto não te reconheceu

Fica, então, morando nos versos
Pra que eu possa a ti recorrer
Te encontrar nas noites de luar
Saciando meu desejo ao te ler.

*Poema inédito do livro Diagrama que será publicado pela Editora Sapere.

*Sonia Arruda, reside no Rio de Janeiro. É médica e servidora pública. Costuma se descrever como uma garimpeira de palavras, os nossos tesouros: “garimpar palavras e juntá-las com amor é imprescindível como o desejo de se tocar os sonhos”. É autora dos livros Pedra (Editora Sapere, 2010) e Lua e Libélula (Editora Sapere, 2011). Tem participações em diversas antologias, uma delas é a Antologia Poetas da Confraria (2012).