Por Vicente Freitas

Brigitte

Tua beleza é misteriosa…
De onde ela vem?
Tua tristeza é misteriosa…
E eu sinto, agora:
Tua beleza é tua tristeza;
Tua tristeza é tua beleza.

Olhos negros, pele de chocolate.
Mulata, negra, morena –
Dengosa, formosa, voluptuosa.

Um mistério, eu não entendo;
Um desejo, eu não entendo.
E, por essas razões,
Minha vontade é criar, sentir
Que tu existes…
Reinventar o que nunca meus olhos viram:

– Tua beleza, Brigitte.

Insônia

Estive pensando em você, esta noite,
enquanto rolava na cama,
contemplando a lua, pela janela.
A cama não tinha consciência disso,
a lua não tinha consciência disso,
você não tinha consciência disso…
Só eu, só eu, só eu…
Então escrevi esses versinhos
para fazê-la eterna, em minha poesia.
— Ah, quem dera — esta noite — contigo.

Marina 

Marina pariu um peixe
e para espanto de todos
o peixe saiu voando,
em ziguezague, rumo ao mar.

Não era um peixe voador,
mas voava…planava…
Era o peixe do amor,
nascido, não do útero;

do coração de Marina.
Ela sempre paria peixes
(fosse mesmo em pensamento)

pela boca, pelos olhos;
os olhos verdes do mar
– o verde mar de Marina.

Mulher

Encontro, uma questão do acaso,
tal qual a morte.

Um único encontro: Logo ali,
muda, trans(forma) a vida.

Mulher, uma mulher,
nada mais que uma mulher,
embala sua vida
(de lá pra cá,
de cá pra lá.)

Uma mulher:
vestida, nua, divertida, sem chapéu.

As pernas nuas, enormes
duas colunas, um cabide
de pernas, sorriso, rosto
emoldurado – cabelo solto, ruivo –
Eva, pecado, paraíso.

Aí está: – uma mulher
(costela)
diante de um homem.

Soneto da Intimidade

Invulneráveis são teus seios belos
que sempre dão prazer, prazer profundo.
Além de belos, belos e fecundos.
E eu corro muitas léguas para tê-los.

Parecem duas frutas despencando,
dois frutos sob a blusa, intumescidos
e quando os vejo assim desenvolvidos
mesmo acordado… fico assim sonhando.

As tetas de cor roxa e graciosas
aumentam suas formas voluptuosas
e tremem quando em busca de carinhos.

E quando no teu íntimo absorvidos
às vezes minhas mãos e meus sentidos
beliscam como leves passarinhos.

*Vicente Freitas, cearense – nasceu na cidade de Bela Cruz, Ribeira do Acaraú.  É jornalista e escritor. Dedica-se à literatura e às artes plásticas, distinguindo-se como poeta e historiador. Licenciado em História e Geografia, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, UVA. É autor dos livros: Almanaque poético de uma cidade do interior (2000); O carpinteiro das letras (2005); Bela Cruz – famílias endogâmicas (2010); Bela Cruz – biografia do município (2011). Participou de várias antologias brasileiras.