O LEILÃO DA VIRGINDADE

A virgindade tem seu conceito construído pela sociedade desde a Antiguidade, e pode variar entre as culturas.  Trata-se de uma condição muito valorizada em alguns meios sociais ou religiosos. Em lato sensu a palavra “virgindade” acha-se associada à mulher, e está fortemente corelacionada à integridade do hímen.  Por isso,  em algumas culturas, antes do casamento, são aceitáveis as práticas de formas de sexo que não o rompam, tais como o sexo anal ou oral, em que o status de “virgem” da mulher mantém-se.

É de conhecimento geral que, historicamente, nas principais sociedades, os costumes e as tradições fizeram com que as mulheres fossem criadas sob doutrinas, nas quais só podiam deixar de ser virgens após o casamento. Na Grécia Antiga, por exemplo, as jovens que perdiam a virgindade arruinavam a honra familiar; assim, eram vendidas como escravas. Por outro lado, na Roma Imperial, um pai podia matar tanto a filha quanto o homem que a tivesse seduzido, se ela perdesse a virgindade antes do casamento. Já entre os orientais, há culturas que seguem essa doutrina, e fazem valer os costumes de seus antepassados, até os dias de hoje.

Mediante o relatado nos parágrafos anteriores, ficou óbvio que a virgindade feminina é um assunto milenar.  Trata-se de um tabu a ser desvendado, um tema raramente falado abertamente, dividindo a sociedade em duas opiniões: os que acreditam que a virgindade tem de ser levada a sério; e os que acreditam que constitua questão ultrapassada.

De qualquer modo, apesar de ser tabu, atualmente a matéria encontra-se em constante destaque na mídia, aparecendo nas páginas principais de grandes jornais e revistas de âmbito nacional e internacional. Mas, a que se deve isso? Por que um tópico tão acautelado e pessoal auferiu tamanha notoriedade?  A resposta é mais simples do que se possa imaginar.

Nos últimos tempos, em que as mulheres virgens se encontram em vias de extinção, existem jovens oferecendo suas virgindades para venda ou rifa, anunciando publicamente suas ofertas através da Internet e de outros meios de divulgação.

Ou seja, até algumas décadas atrás, os pais ainda exerciam uma severa vigilância na vida das filhas solteiras, para que a virgindade delas fosse preservada a todo custo. Hoje, pracear a “pureza” virou modismo: é o famoso “leilão da virgindade”.

No ano de 2004, uma britânica de 18 anos, leiloou a sua virgindade pela Internet por 8.400 libras, para pagar os estudos. Já em 2007, outra britânica da mesma idade, vendeu a sua primeira vez por 10.000 libras. Mas, a história não parou aí: uma norte-americana, que utiliza o pseudônimo de Natalie Dylan, e uma romena, de 18 anos, também decidiram almoedar publicamente a castidade, utilizando a cansada e ordinária desculpa de que o dinheiro proveniente da alienação seria para pagar os estudos.

Essas jovens, de diferentes nacionalidades, estão cobrando para ter a primeira relação sexual de suas vidas, leiloando o rompimento do seu hímen (como se fosse um objeto) pelo pênis de um homem estranho, contanto que ele ofereça e pague o maior lance.

Como se isso já não fosse bastante infame, uma das jovens destacou que vai renunciar ao uso de preservativos. Hã? Como assim, renunciar à utilização de preservativos?  Simples! Ela contou que vai entregar ao vencedor do leilão um atestado médico, que mostra não ter nenhuma DST (Doença Sexualmente Transmissível). Pergunto: e quanto ao vencedor do leilão? Provavelmente, também será exigido um atestado médico, comprovando que ele não tem nenhuma DST; mas, será que alguém já informou a essa jovem que existem DSTs, que podem produzir falsos negativos nos exames? Isto é, a pessoa é portadora da doença, porém o seu organismo ainda não produziu anticorpos suficientes para a detecção.

O. k.! Não estou aqui para julgar ninguém, mas, essa “moda” do leilão da virgindade e a divulgação de tal comércio na mídia revelam a banalização e a depreciação do ato sexual em si.  Falar de virgindade nos dias de hoje parece uma “piada”, um “rótulo”. Tal como não faz sentido intitularem-se “virgens” as mulheres que praticam outras formas de sexo, mas que mantêm o hímen intacto. Essas mulheres a meu ver já não são virgens, nem aqui nem em Marte.

Tudo bem, concordo que é necessário superar as barreiras e os preconceitos nesse campo. Isso é intrínseco ao avanço da sociedade e do mundo moderno. Da mesma forma, aceito que cada um tenha o direito de cuidar de sua vida e de fazer dela o que bem quiser: nenhuma mulher deve carregar a sua virgindade até o casamento, a não ser por livre vontade. Quanto à “perseguida”, que deem, distribuam, ofereçam; mas… vender?

Não consigo aceitar o exibicionismo e a vulgarização de um aspecto tão pessoal e íntimo. A primeira relação de uma mulher deveria ser praticada com a pessoa “certa”, com consciência e proteção.  No entanto, a grandiosidade da virgindade e a sua perda foram transformadas em coisas triviais, vexatórias. Se continuarmos assim, chegaremos ao dia em que a intimidade inexistirá; ao invés do leilão virtual, veremos virgens nas ruas com cartazes dizendo: “promoção, oferta imperdível, apenas por hoje, pague ‘X’, e rompa meu hímen”.

Em suma: para muitos, esses acontecimentos podem significar uma evolução. Mas, para mim, é vergonhoso que, no século XXI, as pessoas transformem a virgindade em mercadoria à venda. O que mais me espanta é existirem compradores, pessoas dispostas a pagar milhões pelo produto exposto, rebaixando o ser humano a uma posição nunca antes ocupada, indescritível. Isto não passa de um insulto à própria condição humana; especialmente, ao sexo feminino.  Representa uma involução e decadência de alguns membros da sociedade, que parecem ter perdido as suas referências, invertendo completamente os valores morais. Homens que, provavelmente, tentam compensar uma vida sexual frustrada e limitada, com os milhões que têm no bolso.

LIBERDADE: DIREITO OU ILUSÃO?

Uma pessoa não se encontrar sujeita ao domínio de outrem, ter poder sobre si mesma e sobre seus atos poderia ser a expressão de um conceito puro de liberdade. Porém, o conceito de liberdade é muito complexo, pois abrange muitos sentidos. As dificuldades teóricas intrínsecas à definição fizeram com que as ciências humanas e sociais optassem pelo termo plural “liberdades”, em lugar do ideal absoluto de “liberdade”. Inclusive, porque a liberdade é a soma de várias liberdades especificas, diretamente ligadas ao individuo e à sociedade; à ciência e a religião; à ética e a política; e a quase todas as áreas da atividade humana. Por isso, fala-se constantemente em liberdades sindicais, econômicas, de opinião, de pensamento, etc.

Em sentido lato, a palavra “liberdade” vem do latim libertate. Indica a faculdade de cada pessoa decidir ou agir de acordo com a própria determinação, dentro de uma sociedade organizada, limitada pelas normas impostas; ou seja, a liberdade será determinada pelos seus princípios de “direito”: o errar e o acertar.

Sabemos que o desejo de liberdade é um sentimento profundamente arraigado no ser humano. Assim, há sempre questões, dúvidas e impossibilidades: o casamento, a escolha de uma profissão, o compromisso com uma religião. Essas, dentre outras ações, exigem do homem uma decisão quanto ao seu próprio futuro. Implicam em escolhas pelas quais ele se responsabiliza, assumindo riscos (vitórias ou derrotas). As escolhas raramente são fáceis e simples, pois optar por uma alternativa pode significar a renúncia a outra ou a outras. Mas será a liberdade um direito ou uma ilusão? Responder a isto é delicado e problemático, pois cada pessoa tem um entendimento peculiar sobre o tema.   No entanto, falarei um pouco a respeito.

A liberdade pode ser considerada uma ilusão, uma vez que a nossa conduta é sempre determinada. Quando nos decidimos por algo, nós o fazemos condicionados a sistemas de vida, agindo conforme o que observamos, aprendemos. A falta de controle sobre inúmeras situações fortalece ainda mais a ideia de que a liberdade é uma utopia. Não temos poder de decisão sobre muitas coisas: a época, o local e as condições de nascimento; a saúde; os desastres de que somos vítimas; o tipo de educação que recebemos; a entrada no curso pretendido. Sem contar, que há inúmeras resoluções tomadas, cujos efeitos não são os esperados.

Já observando pela óptica legal, a liberdade é um direito do individuo, adquirido e reconhecido. Um direito absoluto sobre si, que presume responsabilidade pelas decisões concretizadas, não sendo admissível qualquer contestação das decisões racionalmente concebidas.  Pois, tal contestação levaria a julgar que o indivíduo é incapaz para a liberdade, devendo então ficar sob a responsabilidade ou sob as decisões alheias. Em suma, uma pessoa é livre quando a sociedade não lhe impõe nenhum limite injusto ou absurdo. Mas, o que seria um limite desnecessário? A imposição de um limite paradoxal transformaria o direito legítimo à liberdade em mero sonho? É neste ponto que habita a ambiguidade do tema em questão.

A Constituição Federal, no seu Art. 5º, inciso II, diz: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Com este inciso, o constituinte quer proteger o cidadão de abusos de poder.  Só a lei (elaborada de acordo com o pressuposto democrático) terá legitimidade para restringir a liberdade individual. Quanto ao pressuposto democrático, consiste em que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos. Estes últimos elaboram as leis (através de plebiscitos, referendos, etc.), com a finalidade de regrar as condutas socialmente permitidas, proibidas e obrigatórias.

O que acontece muitas vezes, no entanto, é que esses representantes aprovam as leis sem grandes debates com a sociedade, circunstância que pode originar proibições ou restrições polêmicas.   Seja como for, e ainda que essencialmente corretos e socialmente bem intencionados, cada vez mais surgem normativos que afastam a liberdade como direito, levando-a para o âmbito da ilusão.

É o caso da Lei Seca (Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008), que só após entrar em vigência na data da sua publicação (20/06/2008), passou a ter o seu conteúdo discutido.

A “Lei Seca” visa prevenir e reduzir a ocorrência de acidentes de trânsito causados por condutores irresponsáveis e imprudentes, que dirijam seus veículos sob efeito de álcool.  Para isso são adotados determinados mecanismos, aos quais não farei referência.

Vale lembrar que dirigir sob o efeito ou influência do álcool já era vedado pelo Art. 306, do Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503, de 23 de Setembro de 1997). Ou seja, dirigir embriagado sempre foi uma grave infração. A intenção da nova lei é excelente. A grande diferença é que, na atual, a ingestão de álcool pelo motorista se torna, na prática, proibitiva.  Assim, restringe a liberdade individual, que seria poder beber e dirigir, dentro de níveis baixos de alcoolemia, que não prejudicassem a boa condução. Já para os indivíduos absolutamente alcoolizados, aqueles que andam “trocando as pernas” e, portanto, incapacitados para dirigir veículos motorizados ou até mesmo uma bicicleta, a Lei já contemplava com rigorosas punições. Acontece que se a lei anterior recebesse o mesmo nível de fiscalização que a de agora recebe, não haveria necessidade de uma norma tão rígida, que muitos consideram uma repulsiva agressão à liberdade.

Mas, calma. A “Lei Seca” é apenas mais uma entre outras de caráter discutível. Outro exemplo é o Projeto de Lei do Senado nº 181/2007, cuja essência consiste na proibição, em um prazo de dois anos, da utilização de gordura transgênica.  Trata-se daquela que deixa os alimentos mais saborosos, confere maior validade, etc. A proibição deriva do fato de ser um fator de risco para a obesidade e as doenças cardiovasculares. Em conseqüência, além da quantidade inadmissível de álcool que podemos ingerir, o que já faz muitos de nós chorarmos, em breve comeremos batatas fritas murchas (a gordura “trans” é que as deixa crocantes) e biscoitos com recheios derretidos.

O.k.! Poderia escrever indefinidamente sobre o assunto, mas não o farei.

Partilho da opinião de que não podemos deixar de lado os fins perseguidos pelo Estado, como a defesa da vida humana. Mas, será que isso justifica todos os meios utilizados, a possibilidade de vivermos em uma sociedade em que a vontade do Estado prevaleça, indo contra os princípios democráticos? Estarão as pessoas dispostas a abdicar de sua liberdade individual, de sua prerrogativa constitucional de decidir livremente, assumindo os riscos da decisão?

Acredito que talvez nunca venhamos a descobrir uma definição absoluta, concreta e imutável de liberdade, pois esta varia. Da mesma forma, para mim não existe liberdade zero ou nula. Por mais escravizada que se ache uma pessoa, sempre lhe sobra algum poder de escolha. Tampouco há liberdade infinita: ninguém pode escolher tudo. Portanto, afirmo que, para mim, liberdade é expectativa de direito, por não depender unicamente de nós, ela, em determinadas situações, pode ser uma fantasia, um sonho ou simplesmente uma visão.

Observação: a legislação citada no artigo encontra-se disponível em:

CARÊNCIA AFETIVA VS CARÊNCIA SEXUAL

Em um trecho da música Não há estrelas no céu, do célebre cantor português Rui Veloso, ele afirma: “Por mais amigos que tenha, sinto-me sempre sozinho”. Será isso verdade? Não sei quanto a vocês, mas decidi formar ideias sobre o assunto.

Desconheço se é unânime, mas qual de nós já não esteve rodeado de muitas pessoas, porém, mesmo assim, continuou se sentindo sozinho? Por outro lado, quantos terão saído por aí sem freios, buscando relações sexuais, e no final sentiu aquele vazio, que acreditava fosse desaparecer?

É! Realmente isso acontece com mais frequência do que possamos imaginar. Talvez, porque a maioria de nós desconheça o verdadeiro sentido de “carência”, visto que o conceito se apresenta de muitas formas (carência econômica, legal, moral, etc.). Portanto, vamo-nos ater à concepção que nos interessa: a do âmbito da Psicologia.   Buscaremos, paralelamente, os significados das palavras “afetiva” e “sexual”.

O termo “carência” vem do latim vulgar carentia. Significa “falta de algo necessário”, “privação”, “necessidade”.

Com relação à origem da palavra “afetiva”, sabe-se que parte do latim affectivu, relativo a afeto (do latim affectus), tendo como acepção “afeição por alguém”, “inclinação”, “simpatia”, “amizade”. É um estado emocional ligado à realização de um impulso que, reprimido, pode transformar-se em angústia.

Caminhemos agora para o conceito do vocábulo “sexual”, que nada mais é do que um adjetivo relativo ao sexo. Etimologicamente, deriva do latim sexu, podendo apresentar diversos significados: desde a diferença física ou a conformação especial que distingue o macho da fêmea – conjunto de indivíduos que tem o mesmo sexo – quanto referir-se à relação sexual em si (coito, cópula). Este último sentido é o que nos desperta a curiosidade. Que tal uma pequena junção de signos?

A carência afetiva pode ser interpretada como uma necessidade de afeto, simpatia, amizade.  Por isso, pode resultar na necessidade de um relacionamento com outrem. No entanto, não implica obrigatoriamente num relacionamento sexual. Por outro lado, a carência sexual é a necessidade da realização do coito; ou, se preferirem, da cópula carnal; da união sexual.

Agora, pergunto: qual das duas carências é a mais fácil de ser suprida? A afetiva é intrínseca ao ser humano seja pela solidão circunstancial, seja pela sentida na infância. Desse modo, é muito mais difícil, por vezes quase impossível, de ser resolvida. Daí, aquela frivolidade após o coito; ou mesmo, a sensação de se estar só, em meio à multidão. Já a privação sexual é de solução bem mais simples e acessível.  Até sem sair de casa, pode ser atendida.

Em vista dos conceitos acima, é possível pôr fim à distorção de significados, que nos tem atordoado durante muito tempo. Assim sendo, agora que você se encontra um pouco mais munido, do que no início do texto, espero que consiga distinguir com clareza qual carência que o assombra (ou não). Pense de forma racional, antes de sair por aí de maneira imoderada, à procura de alguém ou algo para acabar com a sua carentia. Imagine: se a sua carência não for nem de caráter afetivo nem sexual, mas sim, financeiro, sair para “encher a cara” em bar ou ir para uma boate à procura de “alguém”, só vai aumentá-la ainda mais. E você não quer isso, pois não? Então reflita, reflita e reflita. Tentarei fazer o mesmo, sempre que me sentir carente.

DESEJO INSANO

Deixa-me beber no cálice da tua boca,
Sentir o aroma do teu corpo na minha tez,
Acariciar e dominar a tua alma,
Beijar-te por fora, sentir-te por dentro.

Vem! Cessa meu desejo, suga-me os mais
Nobres e doces recantos, invade meu corpo
Que, sôfrego, chora para ser domesticado.
E grita: “Explora-me, consome-me”.

Afunda e desliza teu amor em mim.
Torna-me fêmea, mulher, faze-me tua.
Penetra-me, revela-nos, unifica-nos, ama-me.

Por todo beijo, quero que me ouças gemer.
A cada afago, ambiciono pedir-te mais.
Ao mínimo suspiro, penses que vou gozar.

O “ASSASSINATO” DA LÍNGUA PORTUGUESA

Tico Santa Cruz,da banda Detonautas acabou de colocar assim no seu perfil do facebook: “Tenho nervoso de gente que fala ou escreve ‘amostra’ algo, ou vou te amostrar.” Pois bem, querido Tico SOMOS DOIS. Eu não sou professora de língua portuguesa, muito menos formada em Letras ou algo que se pareça, e sei que os textos do meu blog têm erros, pois “Herrar é umano”, mas nos últimos tempos tenho ficado para lá de chocada com os erros que tenho visto de língua portuguesa na internet.

Sim… Infelizmente nem todos têm acesso à melhor escola, ao melhor ensino, mas o que eu realmente tenho visto ultrapassa os limites.

Dos mais de 100 erros que encontrei decidi selecionar apenas 25, que foram os que considerei mais bizarros… A forma correta é a que se encontra dentro de parênteses.

Observem a lista:

Acontese  (acontece)
Almenos (ao menos)
Asterístico (asterisco)
Cardaço (cadarço)
Compania (companhia)
Concertar (consertar)
Concerteza / Concertesa (com certeza)
Conhencidencia (coincidência)
Derrepente (de repente)
Discuberta (descoberta)
Discurssão (discussão)
Fasio (fácil)
Figo (fígado)
Iorgute (iogurte)
Menas (menos)
Mendingo (mendigo)
Milhonário (milionário)
Mortandela (mortadela)
Nessessário (necessário)
Picina (piscina)
Saucixa (salsicha)
Seru mano (ser humano)
Sombrancelha (sobrancelha)
Trabisseiro (travesseiro)
Voçe (você)

E então? Ainda restam dúvidas de que a nossa Língua materna tem sido vítima de tentativas em massa de assassinato?

Observação: decidi não mencionar os sites onde retirei tais agressões à língua portuguesa, para não desconsiderar e menosprezar os seus autores.

ESENCIA

Ilustras colores de mi alma,
Elaboras mis pensamientos,
Hablas en mis sentimientos,
Penetras la plenitud de mi ser,
Invades mi cuerpo de deseo,
Imortabilizando el tu, en mí…
Así eres tu, K….. mi amor,
Un gigante en mi pequeña vida.

BELEZA: A GENÉTICA DO BISTURI

É do conhecimento geral que gosto não se discute – o que é belo para um é feio para outro – assim como não existe um consenso sobre o conceito de beleza: alguns acreditam que a beleza interior prevalece sobre a exterior, outros pensam o contrário, mas que tal um breve apanhado sobre a etimologia da palavra e algumas das suas possíveis acepções, ao longo da história, no que diz respeito à “beleza” feminina?

O vocábulo “beleza” do latim clássico bellus, do vulgar bellitia, do italiano belleza é a qualidade do que é belo, que se enquadra no ideal estético, harmonia, perfeição das formas. De acordo com o dicionário Aurélio “pessoa bela”, “coisa bela, muito agradável, ou muito gostosa (…)”. Pode significar também o caráter de quem é digno de ser admirado, por suas qualidades intelectuais e / ou morais.

Sabemos que esses conceitos variam culturalmente, geograficamente, e são temporais; portanto, se a beleza, para os gregos da antiguidade, ia além da estética corporal e da prática de atividades físicas, englobando estilo de vida – gostos, conhecimentos pessoais, etc., na Idade Média, apesar das incertezas sobre a existência ou não de um “ideal de beleza”, o ventre volumoso era extremamente valorizado: quanto maior, mais belo. Já no Renascimento, as “gordinhas” eram consideradas as mais belas, afastando-se do que se buscava como “ideal” no século 17, em que a cinturinha de pilão era o objeto de desejo.

Esses ideais de beleza, entre muitos outros, – peito achatado, músculos excessivos, culto à magreza, por exemplo – fizeram parte da história da “beleza” e todos foram influenciados pela época em que se encontravam, mas, e atualmente? O que dizer de uma época em a “beleza” sofre influência direta das regras da sociedade, assim como da moda? Em que as cirurgias plásticas não mais são praticadas com o intuito de corrigir pequenas imperfeições, mas sim de embelezar e alterar drasticamente corpos e rostos? Você acredita que existe um “ideal de beleza” unânime nos dias de hoje? Seios grandes, cintura fina e quadril largo? E até que ponto você se sacrificaria para atingir tal “perfeição estética”? Você faria cirurgias plásticas, tratamentos estéticos e passaria horas na academia?

Bem, nada tenho contra o que acabei de citar, aliás, tenho plena consciência de que algumas imperfeições no corpo, rosto, cabelo, etc., podem reduzir bastante a auto-estima e, até mesmo, o convívio social, de qualquer pessoa; por isso entendo e suporto a ideia de que as pessoas devem recorrer a “tudo” que estiver ao seu alcance para a obtenção da simetria das formas, do corpo esbelto, rostos esticados, etc., desde que estejam dispostas a tal.

Confesso que, particularmente, gostaria de me livrar daquelas gorduras extras que não nasceram comigo, mas insistem em fazer parte do meu corpo, porém, não sou chegada a exercícios físicos e não sei até que ponto arriscar-me-ia. Sim, porque nós trocamos um defeito físico por uma cicatriz, o pós-operatório nem sempre é dos melhores, sem contar com os riscos que acompanham qualquer cirurgia. Um exemplo recente, que chocou a sociedade, foi o de uma jovem jornalista, de apenas 27 anos, falecida após uma cirurgia de lipoaspiração, sendo esta apenas “mais” uma entre muitas fatalidades que ocorreram; porém, é um risco que a pessoa assume.

Pois bem…

O que não consigo aceitar é a negação. É que, meu humilde Ser fica inconformado. Muitas pessoas – agora ouso denominá-las de ridículas – não admitem que se submeteram a tais processos de embelezamento artificial – cirurgias, uso de anabolizantes, etc., – são, por demais, hipócritas, pois mentem para elas mesmas e para os outros; muitas ainda têm a “cara de pau” de afirmarem que foi tudo “genética” e essa simplesmente não dá para engolir, não mesmo!

Para mim, é inconcebível que pessoas assim, provavelmente, com grau reduzido de intelectualidade, esquecem de “malhar” o cérebro, não aceitam a realidade de que, se não acontecer um milagre, é melhor pedirem para nascer novamente, mas ainda assim, se quiserem falar de “genética”, que não seja a do bisturi – falemos. Vamos citar exemplos que não precisaram de intervenção cirúrgica, obras da “natureza”: assim, a cinturinha da Ellen Rocche, o rosto angelical da Roberta Thaise, as pernas da Ana Hickmann, e porque não citar o bumbum da Andressa Soares, vulgo mulher melancia? Isso sim, exemplos sem rodeios, sem hipocrisia da “genética do bisturi” como intitula a ex-modelo paraguaia Veronica Castiñeira.

Seja como for, finalizando, o que mais me martiriza, admito, fere e faz sangrar a minha alma; além de tudo que escrevi, acima, é que essa busca desenfreada pelo “corpo perfeito”, em regra, distancia os admiradores e seguidores dessa cultura, que visa beleza física, acima de tudo, da beleza tão ou mais importante, a intelectual e a moral. Que esses devotos, incapazes de entender a harmonia, mens sana in corpore sano, possam alcançar o equilíbrio, entre ambos, antes que seja tarde. É só querer e não se deixar levar pelos modismos estéticos, porque, caso contrário, no máximo, o que irão conseguir é a perda da sua identidade: um dia você olhar-se-á no espelho e não mais se reconhecerá – você será um estranho no próprio corpo.  O soneto Além do físico de Glória Salles, ilustra muito bem, este artigo:

Descobri-te, muito alem do físico.
Da emoção todos os limites transpondo
Pisando ainda oscilante, em solo desconhecido.
Deixando fluir, me desarmando, me expondo.

Burlei preconceitos, ignorei preceitos.
Mergulhei na fonte límpida, oferecida.
Desnudei a alma, libertei sentimentos.
Imergi as dores impostas pela vida

Deixei a voz que é silêncio me trasladar
Cri na  transparência que se abriu pra mim
E no despojado gesto de me amar assim

Ao emergir, corpo e alma renovados
Deixei na fonte resquícios de memória
E sem medo de seguir, reeditei minha história.

*Obrigada ao Vicente Freitas pelas correções.

É O FIM

É o fim
Dos meus poemas de amor.
Poemas tristes, dolorosos,
Recheados de ódio e de rancor.
Repletos de queixas e desamor.

Onde
Os poemas alegres, esperançosos
Que mantinham acesa a paixão
Que dilacerou o meu coração?

Poemas que se lembravam de ti,
Do “nós” que nunca existiu,
E se esqueciam de mim.

É o fim,
Dos poemas de amor,
Dedicados ao ogro, dedicados a ti.
Porque hoje é um novo dia
O dia em que te esqueci.

“TAMANHO” É DOCUMENTO?

Navegando pela Internet, sem rumo certo, tomei um susto quando encontrei casualmente uma notícia: anunciava que um paciente, após ser submetido a uma cirurgia de aumento peniano (de 15 cm para 25 cm), apresentou arrependimento, retornando à clínica, desesperado, solicitando que os médicos revertessem a operação; isto é, reduzissem o seu membro para o tamanho “normal”.

Não pude deixar de pensar sobre o tema, afinal sabemos que essa preocupação é frequente entre os homens; não só na adolescência, mas até mesmo na idade adulta. Daí, o aumento de consultas a urologistas que, cada vez mais, ouvem a famosa afirmação: “Tenho o pau pequeno”. Por sinal, para a grande maioria dos casos, os médicos apresentam a resposta: “Seu pénis é normal”.

Mas, o que seria um pénis normal? Existe algum que seja anormal? Informo desde já que não pretendo neste texto ensinar ninguém a medir o tamanho desse membro, até porque não tenho um. Mas é bom elucidar um pouco o assunto que, ao longo de décadas, tem sido supervalorizado.  Isso vem contribuindo para o aparecimento de crenças erróneas, além da criação de uma indústria que visa o aumento peniano.

Que tal um pouco sobre a “normalidade” e “anormalidade” do pênis? Um pénis flácido mede de 5 cm a 10 cm de comprimento. O médico William H. Masters e a psicóloga Virginia E. Johnson, ambos norte-americanos, verificaram que o pénis em ereção mede de 12,5 cm a 17,5 cm. Vale ressaltar que o tamanho durante a flacidez não determina o tamanho durante a ereção.

Com relação à “anormalidade” do pénis, até os dias de hoje não há definição universalmente aceita para um pénis anormal, mas, para fins práticos, considera-se um pénis flácido de até 4 cm, e em ereção até 7,5 cm, como pequeno.

Especialistas afirmam que homens com membros menores podem satisfazer a mulher, da mesma forma que os dotados de membros maiores, uma vez que o mais importante para o prazer da parceira é a espessura.   Isso significa que o comprimento definitivamente não conta na hora de dar prazer à mulher.  Inclusive, porque a vagina tem profundidade variável de 9 cm a 12 cm, sendo que a  maioria das terminações nervosas relacionadas ao prazer sexual situam-se justamente na entrada. Deduz-se assim que a espessura do pénis seja mais importante do que o seu comprimento.

Apesar das informações anteriores, não me dei por satisfeita e decidi procurar dois urologistas.   Perguntei se a nacionalidade tem efeito sobre o tamanho do pénis. A resposta de ambos foi “não”. Completaram, dizendo que o que influencia é a raça. O tamanho médio dos pénis dos negros é maior que o tamanho médio dos pénis dos brancos.   No entanto, é possível encontrar homens com pénis de 8 cm até 32 cm, independentemente da raça. Também, casos raros, que extrapolam essa faixa; tanto para menos quanto para mais, variando não só em comprimento, mas também, em circunferência.

Decidi, também, perguntar diretamente a eles e a elas. Será que tamanho é realmente documento? Dividi em três grupos. Um com cinco mulheres, com idades compreendidas entre 25 anos e 30 anos. Outro, de sete homens, com faixa etária entre 27 e 35 anos; os integrantes desse grupo consideram que seus membros estão dentro das dimensões normais ou acima. Por fim, um terceiro, com cinco rapazes, entre 25 e 32 anos; os que se acham neste grupo acreditam ter um pénis “abaixo da média”, aproximando-se dos valores considerados “pénis pequenos”, ou, como alguns especialistas preferem chamar, “micropénis”.

Todas as cinco mulheres reconheceram que SIM, tamanho é documento, mas preste atenção: duas destacaram que “Se o pénis for grosso, o comprimento não tem tanta importância.” Outras duas sustentaram que “O pénis deve ser normal, nunca grande demais, porque muito grande machuca.” Acrescentaram: “Além de ser normal e grosso, o homem tem de saber usar.” Quanto à última, afirmou que “O pénis tem que dar para segurar com a mão toda.” Nenhuma das entrevistadas soube dizer precisamente qual o conceito de normal, quando questionada.

O segundo grupo (o de sete homens mais dotados) apresentou várias respostas. As negativas totalizaram quatro. Foram elas:

– Não. Habilidade com a língua, sim, é importante.

– Não. A química entre o casal é mais importante.

– Não. Pois há mulheres que sentem desconforto no ato sexual, que deixa de ser prazer, passando a ser tortura.

– Não. Há tamanho e gosto para todas.

Já dois deles partilharam da mesma opinião que as mulheres:

Sim, mas o que importa é a espessura.

– Sim. Na medida certa; mas também, ter um bom tamanho, e não fazer nada, não é bom.

Por fim, o último disse que:

– Depende. Vai da “safadeza” da mulher, do tamanho da vagina, e, lógico, da espessura.

O último grupo, dos menos dotados, afirmou, de forma unânime, ter uma boa ereção e que não recebeu queixas dos seus relacionamentos sexuais.

Com os esclarecimentos expostos e tantas respostas para o mesmo assunto, pude constatar que sim, tamanho é documento. Porém, não do modo como a indústria sexual tenta apresentar, super valorizando o comprimento.  Além disso, especialistas corroboram a opinião do terceiro grupo de entrevistados, dizendo que as preliminares causam mais diferença no bom desempenho sexual, do que o tamanho do pênis.

Por isso, você homem fanático com o tamanho do seu pénis, que carrega para cima e para baixo a régua e a fita métrica, comece a pensar com a cabeça de cima.  Assim, pare de dar aquela espiadela básica para o pénis do outro.  Deixe de tentar entender porque você, com 1.80 m de altura, tem um membro menor do que a figura que se encontra a seu lado com apenas 1.50 m.  Não fique também a encarar absurdamente o homem de raça diferente da sua, como se ele tivesse uma aberração no meio das pernas.

Ao invés disso, vá melhorar a sua habilidade em estimular a parceira, o que, sem sombra de dúvida, é muito mais importante do que a dimensão do pénis.  E não se esqueça de que mais vale um pequeno trabalhador, do que um grande molengão.  Por fim, tenha sempre em mente o pensamento irreverente de uma das entrevistadas: “Não é o pénis do homem que é pequeno, o corpo é que é grande demais”.

POR QUÊ?

Procuro-te tanto porque
A veemência e o doce dos nossos beijos
Hoje têm o gosto amargo da saudade.
As risadas ingénuas, alegres e sinceras
São agora como o êxtase dos mortos:
Silêncio puro.
E os nossos corpos nus, ardentes, perfeitos?
Ah! Esses pobres! Desonrados, excitados,
Também não se fundem mais.
Assim como nós, são apenas
Dois estranhos; velhos amantes esquecidos.
Nossos desejos viraram repulsa, nojo.
A Intimidade ganhou o nome de solidão.
A paixão não se empresta mais a nós,
Amor transformado em cólera, infortúnio.
Vida infligida, fraudada, penitência miserável.
E tu ainda me perguntas por quê?