AS ORQUÍDEAS DA MINHA MÃE

Aí está uma coisa que eu nunca pensei em ter: orquídeas! E os motivos são simples: flores sempre morreram nas minhas mãos por excesso de cuidado, e com as orquídeas o buraco é mais fundo. Há uns anos a minha amada mãe ofereceu-me uma linda orquídea, e o que foi que a inteligência rara da escritora-blogueira-aprendiz-de-jardineira-e-estudante aqui fez? Quando as flores caíram joguei fora! Ora convenhamos, era o mais sensato a fazer não? Para que serve uma flor, sem o colorido das flores? :D.

É eu sei, ignorância nem sempre é uma bênção, mas a realidade é que dias depois a minha mãe foi visitar-me e quando lhe disse que jogara fora a orquídea porque a coitada tinha ficado careca ela quase teve um ataque cardíaco… Enfim, os tempos são outros, agora sou aprendiz de jardinagem e já sei que não se jogam plantas no lixo só porque as flores caíram. Seja como for, no ano passado a minha mãe adquiriu algumas orquídeas (outras recebeu de presente) e deixou-me com a missão de rega-las quando ficassem sem água e apenas com o equivalente a uma chávena de café.

Simples não? Olhar o vaso, ter certeza de que estava seco e colocar água. É! Parecia fácil, e então a primavera acabou, elas “encarecaram” e as hastes (que eu chamava de troncos ou paus) ficaram secas! Isso não estava nos meus planos. O que fazer?

FICHA TÉCNICA

Origem: selvas tropicais
Espécies mais comuns: phalaenopsis, cymbidium, cattleya, cambria e paphiopedilum
Altura: até 1 m segundo a espécie
Floração: variável
Manutenção: delicada
Substrato: bem drenado
Localização: iluminada

COMO CUIDAR

AS QUE EU TENHO — OU MELHOR AS DA MINHA MÃE

São da espécie phalaenopsis, também chamadas de orquídea mariposa ou orquídea borboleta. Têm procedência em países como as Filipinas, Indonésia, Malásia, Sumatra, China e Taiwan (Ásia Tropical), crescem em cima das árvores, e as suas raízes são aéreas (acho que isso quer dizer que não estão enterradas, mas já vos disse sou aprendiz na jardinagem).

LOCALIZAÇÃO

Por experiência própria aprendi que precisam de meia-sombra, isto é, iluminação clara durante todo o ano, mas nunca, repito nunca de sol directo. Mas por que não sol directo? Simples: o sol em excesso irá queimar as folhas! Começam com manchas brancas que se tornam amarelas; este dano embora irreversível fica restrito a folha queimada, contanto que a planta seja retirada do sol imediatamente, lembrando que as folhas são necessárias a sua sustentação. Como sei disso? Sei porque foi o que aconteceu comigo quando a cortina que protegia as orquídeas caiu-me na cabeça e o sol arrasou a folhagem. Não sei se o excesso de sol pode provocar outros danos a flor, mas esse já constatei, por isso mantenha as suas orquideas phalaenopsis longe de raios solares imediatos.

REGA

Devem ser regadas com água mineral (acabei de descobrir isso – tenho usado água da torneira) sem encharcar a planta. Não existe uma regra para aguar a sua phalaenopsis. Coloque um pouco de água quando raiz apresentar-se menos húmida, sempre vigiando para que as mesmas não apodreçam. No verão costumo regar uma vez por semana (com a medida da chávena de café), mas no inverno isso varia bastante, e já fiquei um mês inteiro sem regar.

ADUBAÇÃO

As orquídeas assim como todas as plantas que não se encontram no seu habitat original precisam de reposição de nutrientes e para isso é necessário adubar. Eu não sabia disso, mas quando elas “encarecaram” fiquei desesperada e comprei um adubo da COMPO SANA  próprio para orquídeas e em pânico adubava todas as semanas, mas uma adubação mensal é mais do que suficiente para manter as orquídeas nutridas.

HASTE: CORTAR OU NÃO CORTAR, EIS A QUESTÃO

Existe uma grande polémica entre os especialistas, vulgo orquidófilos, com relação ao que fazer quando as phalaenopsis “encarecam” e as hastes ficam secas e debilitadas. Alguns dizem para cortar a haste até a base, enquanto outros defendem a manutenção da mesma. Eu cortei! Na dúvida segui o conselho da minha tia e cortei as hastes ressecadas bem rentes até as folhagens. Resultado: nasceram vários brotos, muito mais resistentes do que os anteriores, mas ressalto, isso foi o que funcionou comigo, pode ser que a sua phalaenopsis se dê melhor com a manutenção da haste sem corte. É uma questão de testar.

PRAGAS E DOENÇAS

Porque nem tudo são flores atractivas de cores vibrantes, as orquídeas também são vitimas de pragas e doenças. As mais comuns:

Piolho: pequenos insectos sugadores que atacam os rebentos jovens e botões florais, principalmente na primavera. Agrupados em colónias, deformam e debilitam a planta, sendo o seu crescimento débil. Solução: aplica-se por toda a planta um insecticida especifico.

Tripes: insectos muito pequenos que sugam e picam os tecidos, descolorando e manchando as folhas e flores. Os botões florais atacados caem, ou desenvolvem uma flor deformada. São portadores de viroses. Solução: controlam-se mediante a aplicação de um insecticida sistémico.

Pythium:é um fungo que ataca principalmente as raízes. Estas apodrecem e ficam com manchas escuras e secas. A planta tem uma debilidade geral devido ao mau funcionamento da raiz. Ter em atenção as regas excessivas, para que não apareça o fungo. Solução: se necessário tratar com um fungicida especifico.

Fontes

COMPO Agricultura, Guia prático para o cuidado de Plantas e Flores, 1a ed.
– My First Orchid