OUTUBRO ROSA, A MINHA EXPERIÊNCIA

Comecei a sofrer de dores no seio direito há dois anos. Apalpava e nada sentia. Inicialmente era apenas uma sensibilidade maior no período menstrual, depois passou a ser uma queimação até que, este ano, as dores tornaram-se quase incapacitantes. Do seio, irradiam para o braço até ao cotovelo. Nesse estado, finalmente, decidi fazer os exames de rotina…

Vocês devem se perguntar o motivo de eu ter esperado dois anos para realizar a ecografia (ultrassonografia) mamária e a mamografia… Tudo o que vos posso dizer é que estava confiante nas pesquisas do Google, que dizem que a maioria dos cancros de mama não dão dores. Reconfortada, até mesmo iludida, adiei o máximo que consegui. O facto do meu autoexame nada mostrar, deu-me confiança. Coloquei na minha cabeça que as dores eram de origem muscular.

Não façam isso! Não se fiem que está tudo bem, com base em informações da internet. Não cometam esse erro, o meu erro, e o de outras mulheres, pois essa postura pode ser fatal. O autoexame é de extrema importância, mas apenas os estudos clínicos irão determinar o que realmente se passa, se está tudo bem ou não.

No meu caso, o resultado foi positivo. Tenho um quisto benigno. As dores não irão embora, devem até piorar se o quisto crescer, mas é algo que com medicação apropriada, eu consigo viver. Se fosse diferente, eu estaria com dois anos de atraso para iniciar qualquer tratamento capaz de salvar a minha vida.

Detetar um cancro de mama em estado inicial faz toda a diferença. A porcentagem de cura chega aos 95%, caindo bastante à medida em que o tempo passa. Por isso, apalpe-se, faça os exames de rotina, não deixe para depois o que pode fazer hoje, porque depois pode ser tarde demais.


  • Prevenir o cancro da mama: como?

Embora existam riscos que não estão ao seu alcance modificar (como ter história familiar de cancro da mama), a ciência tem vindo a demonstrar, através de estudos publicados, que existem mudanças ao nível do estilo de vida que permitem reduzir o risco de vir a ter esta doença.

  1. Não consuma bebidas alcoólicas

As pesquisas têm comprovado que a ingestão de bebidas alcoólicas (de qualquer tipo) aumentam o risco de cancro da mama. De acordo com a Breastcancer.org, quando comparadas com mulheres que não consomem bebidas alcoólicas, as mulheres que bebem três bebidas alcoólicas por semana têm um risco de cancro da mama 15% mais elevado.

  1. Mantenha um peso adequado

Segundo a Mayo Clinic, o excesso de peso e a obesidade aumentam o risco de cancro da mama, especialmente se a mulher se tornar obesa depois da menopausa.

  1. Amamente, se possível

A amamentação parece ter um papel benéfico na prevenção do cancro da mama (e no cancro do ovário). Quanto mais tempo amamentar, maior será o efeito protetor.

  1. Não fume

Dados sugerem que existe uma associação entre fumar e cancro da mama, especialmente nas mulheres em pré-menopausa.

  1. Pratique exercício físico

 Ser ativo fisicamente vai ajudá-la a manter o peso ideal (e, deste modo, evitar o excesso de peso e a obesidade que, como foi atrás referido, são fatores de risco para o cancro da mama). Os adultos devem fazer, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos semanais de atividade física vigorosa. Procure que os 150 minutos sejam repartidos ao longo da semana.

  1. Tenha uma alimentação equilibrada

Uma dieta pobre em gorduras parece oferecer uma ligeira proteção em relação ao cancro da mama, segundo a Mayo Clinic. Não existe uma consistência, em termos de estudos científicos, que demonstre que uma dieta rica em fruta e vegetais proteja contra o cancro da mama. No entanto, é já conhecido que uma alimentação equilibrada e diversificada é um fator-chave para manter um peso adequado e tem um efeito protetor em relação a vários tipos de cancro, doenças cardiovasculares e diabetes.

  1. Não faça terapia hormonal de substituição por um período prolongado

De acordo com a Mayo Clinic, fazer a terapia hormonal de substituição (terapia que ajuda as mulheres na menopausa a atenuar queixas como os afrontamentos, entre outras) por um período superior a três/cinco anos aumenta o risco de cancro da mama. Aconselhe-se com o seu médico assistente.

  • Três pilares do diagnóstico precoce do cancro da mama

O diagnóstico precoce aumenta a probabilidade de o tratamento ser iniciado atempadamente, aumentando as chances de ser eficaz. Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, são detetados em Portugal, anualmente, cerca de 4500 novos casos de cancro da mama. O seu diagnóstico assenta em três pilares:

  1. Autoexame da mama

A partir dos 20 anos, todas as mulheres devem realizar o autoexame da mama mensalmente – depois da menstruação. Para aprender a fazê-lo, leia O que deve vigiar nas diferentes fases da vida. E não se esqueça: deve aconselhar-se com o médico assistente se sentir alguma destas alterações:

  • Nódulo ou endurecimento na mama ou na axila
  • Modificação no tamanho ou formato da mama
  • Alteração da coloração ou sensibilidade da pele da mama ou da auréola
  • Retração da pele da mama/mamilo
  • Corrimento mamilar
  1. Exame clínico da mama

A partir dos 20/30 anos, todas as mulheres devem fazer a avaliação clínica da mama. Neste exame, o médico faz a palpação da mama e verifica se existem diferenças entre as mamas e se existe, entre outros sinais, vermelhidão, depressões cutâneas ou secreção ou perda de líquido quando os mamilos são pressionados.

  1. Mamografia

A mamografia vai permitir visualizar se existem nódulos na mama, ainda antes de estes poderem ser palpados ou sentidos pela mulher durante o autoexame. Também possibilita verificar se existem microcalcificações.

Se a mulher tiver fatores de risco pessoais ou familiares de cancro da mama, o médico fará um ajuste individualizado à vigilância.

 A nível geral, a primeira mamografia deve ser realizada por volta dos 35 anos e a segunda a partir dos 35 anos, de 18 em 18 meses, até à menopausa. Após a menopausa, deve ser feita de 24 em 24 meses.

De acordo com os resultados da mamografia, o médico poderá pedir que esta seja repetida e/ou que seja realizada uma biopsia mamária.

Para saber como se processa a mamografia e como se pode preparar para este exame, leia Mamografia: porque é tão importante.

  • Sabia que…

O cancro da mama também pode atingir os homens, embora raramente. Em Portugal, cerca de 1% dos casos de cancro da mama ocorrem no sexo masculino.

Fonte: www.cuf.pt/mais-saude/cancro-da-mama-o-combate-comeca-na-prevencao-e-diagnostico

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