
A língua do “miguxês”, que se tornou uma verdadeira febre nos meios de comunicação virtuais, tem-me deixado com os cabelos em pé. Com frequência surge um semianalfabeto a escrever “xaudades” em vez de “saudades”, ou “extrexxado” no lugar de “estressado”, e tudo isto se deve à simbologia do chamado “internetês”, isto é, do “miguxês”, cujo significado e consequências negativas se tornam evidentes nas linhas que se seguem.
Não sou professora de Língua Portuguesa, tão-pouco revisora ou formada em Letras; assumo que os meus textos contêm erros, como tantos milhares que circulam na internet, mas não consigo engolir a Era do “miguxês” sem me manifestar.
“Miguxês” é o nome popular atribuído a uma variante da língua portuguesa falada — e também escrita — por determinado grupo social, classe social ou subcultura. Tem origem na palavra “miguxo”, que não passa de uma deturpação, uma corruptela de “amiguxo”, termo utilizado por idiotas e ignorantes como sinónimo de “amiguinho”.
Utilizado com frequência por adolescentes e jovens adultos angolanos, brasileiros e portugueses na internet, sobretudo nas redes sociais, e alargado às mensagens escritas de telemóvel, o “miguxês” não é mais do que uma putrefação da língua portuguesa, uma violação que certamente faria Luís de Camões, Fernando Pessoa e Machado de Assis, entre outros, revirar-se nos túmulos.
Com abreviações erróneas do tipo “naum = não” ou “kde = cadê”, os utilizadores deste lixo linguístico acreditam que tal prática facilita e agiliza a comunicação, quando, na realidade, apenas provoca um enorme prejuízo à ortografia, à gramática e à pontuação. Afinal, desde quando trocar um s ou um c por um x acelera alguma coisa? Ou substituir um i por dois ee — por influência da língua inglesa — constitui uma abreviação? “Ah, mas o miguxês também serve para infantilizar o diálogo”.
Dane-se. Se eu quiser um diálogo infantilizado, converso com uma criança ou com um patudo, e não com um adulto mentalmente deturpado. Porque, sim, quem escreve dessa forma só pode padecer de algum problema sério ou, como li durante uma pesquisa sobre esta corruptela: “o miguxês é um impressionante objeto de estudo, que pode significar um tumor no cérebro do utilizador dessa língua…” (autor desconhecido). Preciso dizer mais alguma coisa?
Pois bem, se ainda não compreendeste a minha cólera em relação ao “miguxês” e aos seus utilizadores, observa o exemplo seguinte:
Português correto:
“Eu tenho saudades de sair com o meu amor.”
Miguxês moderno:
“eu tenhu saudadis d sai kom u meu amor.”
Neomiguxês:
“eU tEnHu SauDaDixXx di sAi kUm U Meu AMoR.”
E então, agora percebes? Tu “axas” bonito ler algo assim? Eu não. Por isso, recomendo aos adolescentes e jovens adultos que utilizam o “miguxês” que o abandonem. Para além de não trazer qualquer vantagem — ou melhor, de apenas gerar erros de português que prejudicam a gramática e a ortografia —, não possui qualquer beleza. A única imagem que transmite a quem lê é a de que tu, adepto do “miguxês”, és um semianalfabeto, um assassino impiedoso da língua portuguesa. “Tendeste, miguxo”?

