Recentemente publiquei no meu perfil do Facebook o vídeo das Divinyls – I Touch Myself, que, traduzido de forma grosseira, significa “eu mesma me toco”. Apesar da repercussão positiva junto do público masculino — não era essa a intenção —, duas ou três mulheres mostraram-se extremamente intrigadas pelo facto de eu ter tido coragem de publicar algo assim. Duas delas chegaram mesmo a enviar mensagens privadas e afirmaram que uma mulher não deveria dizer que se masturba. E eu pergunto: porque não? Por que razão, nos dias de hoje, em que os tabus relacionados com o sexo são cada vez mais escassos, a masturbação feminina ainda é um tema tabu, algo que não se pode ou não se deve abordar?
A palavra masturbação tem origem no latim masturbatìo, -onis e significa estimular os próprios órgãos genitais — manualmente ou com objetos — para obter prazer sexual, que pode ter como objetivo atingir o orgasmo (o ponto mais alto da excitação sexual) ou não.
De acordo com a Wikipédia, “o termo foi usado pela primeira vez pelo médico inglês e fundador da psicologia sexual, Dr. Havelock Ellis, em 1898. Foi formado pela junção de duas palavras latinas: manus, que significa ‘mãos’, e turbari, que significa ‘esfregar’, e passou a ter o significado de ‘esfregar com as mãos’.
Historicamente, sabe-se que a masturbação existe desde a era paleolítica, por volta de 10 000 a.C. Sabemos disso através de inscrições feitas pelos homens primitivos, que retratam figuras de masturbação solitária, coletiva ou como parte de rituais. É também de conhecimento geral que, durante muito tempo, a Igreja Católica classificou a masturbação como pecado e avaliou-a como ainda mais grave do que o incesto, regra que prevaleceu entre os séculos XVII e XIX.
Mas a pergunta que não quer calar é: por que, dois séculos depois, a masturbação — em particular a feminina — continua a ser vista como tabu? Será que a ideia de pecado ainda persiste na mente de muitos? Que se trata de algo sujo? Ou que é um ato típico de tarados, anormais, ou que prejudica a saúde?
Uma pesquisa do Kinsey Institute, instituição ligada ao trabalho do revolucionário pesquisador norte-americano Alfred Kinsey, mostrou que 11% das mulheres afirmaram nunca se ter masturbado — contra 5% dos homens. Isto demonstra que, embora muitas mulheres já tenham ultrapassado o tabu da masturbação, para algumas ele ainda existe. A meu ver, está na hora de este tabu e todos os mitos sobre a masturbação serem definitivamente abandonados.
Como referi anteriormente, a masturbação consiste em estimular os próprios órgãos genitais. Para quem pretende alcançar o máximo prazer, é essencial conhecer o próprio corpo. A masturbação — que pode incidir apenas no clitóris ou envolver a introdução de dedos na vagina para estimular o interior, entre outras formas — não serve apenas para atingir o orgasmo. É, sem dúvida, a melhor maneira de conhecer o próprio corpo. Nada há de errado nisso. Trata-se de uma forma de reforçar o erotismo, alimentar fantasias sexuais e estimular a libido.
Quem é mulher sabe que todo o seu corpo é fonte de prazer: o toque na pele, nos seios, na vagina, bem como os movimentos e posições que mais agradam. Para descobrir isto, é preciso tocar-se, touch yourself, sentir o próprio corpo, pois dificilmente o parceiro adivinha o que mais proporciona prazer.
Estudos mostram que a percentagem de mulheres que atingem regularmente o orgasmo é maior entre aquelas que se masturbam. Isto ocorre porque quem se conhece melhor obtém maior prazer. Naturalmente, a masturbação não deve substituir o sexo com um parceiro nem prejudicar a relação. Para muitas mulheres, o amor e o sexo caminham juntos, e algumas sentem-se melancólicas após atingir o orgasmo sozinhas. Mas isso não deve impedir a masturbação — afinal, a depressão pode surgir por outros motivos, e nem por isso deixamos de viver.
Portanto, mulher que se reprime sexualmente, que não se masturba e ainda me critica por eu touch myself, entenda que a masturbação é absolutamente normal e pode ocorrer em qualquer idade. Não é algo sujo, nem exclusivo de tarados ou anormais; não prejudica a saúde e não provoca acne. Pelo contrário: é aconselhável masturbar-se. Como disse Woody Allen: “Não despreze a masturbação — é fazer sexo com a pessoa que você mais ama.” Pare de me chatear e touch yourself. Como dizia Platão: “Aquele que melhor se conhece a si mesmo é o que menos se exalta.”
*Obrigada ao Mafarriku pelas correções

