
Saíste à noite, conheceste aquele homem maravilhoso e vocês entrosaram-se de imediato, como se se conhecessem há anos. Trocaram carinhos, abraços e, por vezes, algo mais. Até que chega uma determinada altura: ele pede o teu número e diz que vai telefonar. No dia seguinte, aguardas ansiosa que o telefone toque. Se toca, sentes aquele friozinho no estômago, os batimentos cardíacos aceleram; inspiras, expiras, deixas o toque prolongar-se um pouco, para não demonstrares ansiedade. Quando finalmente atendes, não é ele. Esperas mais um dia, dois, três, uma semana… até te convenceres, ou pelo menos tentares convencer-te, de que ele não vai telefonar.
Existem várias teorias espalhafatosas (que não mencionarei, por respeito aos autores) que tentam explicar esta atitude do sexo masculino. Em vez de citá-las, decidi ir diretamente à fonte: perguntei a dez homens o que os levava a comportarem-se assim. A princípio foi difícil obter respostas sinceras, mas, conversa vai, conversa vem… entre um cocktail e outro, resolveram falar.
Cinco reconheceram que não ligam de propósito. Não querem parecer apressados, porque acreditam que isso desperta mais interesse na mulher. Dois afirmaram que, se tu não fores suficientemente interessante ou atraente, pedem o número apenas para “dar o pedido” e, caso surja oportunidade com outra pessoa na noite, entram em contacto com esta; só telefonarão a ti em última opção. Um declarou firmemente que pede o número apenas por educação.
Quanto aos dois restantes, afirmaram que ligam sempre. No entanto, às vezes, tu dizes que vais telefonar e não o fazes. Foi nesse ponto que as coisas se complicaram: esses dois homens quiseram saber porquê. Como eu não sabia responder, questionei se tinham alguma ideia do motivo. Um disse “não sei”. O outro… Acredita, tu não vais gostar de ler. Ele declarou simplesmente: “Mulher tem problema e nunca age com a razão”. Preferi ignorar, mas achei que devia citar.
Não fazia a menor ideia de que tu também adotasses esta “estratégia”. Muito intrigada, perguntei às mulheres, para me esclarecer. As respostas mais diretas foram: “Perdi o interesse após o encontro”, seguida de “Não queria pegar no pé” e, por fim, “Não tinha nada para fazer naquele dia”.
Sem grandes conclusões, mas cada vez mais confusa, formei a minha opinião sobre o assunto e perguntei-me: porque é que tantos homens e mulheres dizem que vão telefonar e não o fazem? Afinal, este comportamento deixou de ser uma característica exclusivamente masculina e passou a abranger ambos os sexos. Acredito que as razões são várias:
- Não estavas interessada e nunca estiveste — já conseguiam o que queriam, e perdeu-se a graça;
- Sabem que não vão conseguir o que desejam, pelo que passam a procurar outra pessoa;
- Incompatibilidade de interesses (um quer namorar, o outro apenas diversão);
- Um ou ambos já são comprometidos;
- E, claro, egoísmo, falta de empatia e falta de respeito.
O termo “egoísmo” vem do francês égoïsme e significa amor excessivo ao próprio bem, sem consideração pelos interesses alheios. Em oposição, temos os conceitos de “empatia” e “respeito”. Segundo o dicionário Aurélio, “empatia”, do inglês empathy, é a “tendência para sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstâncias experienciadas por outra pessoa”. Já “respeito”, do latim respectu, significa: 1. Ato ou efeito de respeitar(-se); 2. Reverência, veneração. O respeito manifesta-se como um princípio ético, ensinado habitualmente como “[ter-se] respeito pelos outros”.
O que podes esperar de alguém que é egoísta, ama excessivamente apenas a si próprio, subordina os teus interesses aos seus, não é empático e ainda carece de respeito — sentimento que impede que façamos ou digamos coisas desagradáveis a outro? Como esperar que pessoas assim liguem? Seria inconciliável e contraditório com os conceitos acima estudados.
Portanto, homem ou mulher egoísta, sem empatia e sem respeito: tem decência. Assume que “não vais telefonar”, que nunca tiveste intenção de o fazer ou simplesmente não peças o número; muito menos o faças por mera “educação”. E, acima de tudo: exclui do teu vocabulário a falsa promessa “Eu vou telefonar”.

