poema

Cantos

Apesar de tanta paixão e afeição que me dás, De tamanho desejo e amor que me destinas, Inda é a solidão que grita por todos os cantos. É a agonia de sofrer, ainda que acompanhada. É o isolamento que se transforma em prantos. Mesmo que todo teu sentimento me entregues, Que tua sina e vida

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Pensa bem

Porque partiste sem dizer, não sei. Saíste, com a mala, de improviso. Porque fiquei sem saber, não direi. Mas uma coisa, meu amor, aviso: Não me voltes sem paixão por mim nova, Não ouses buscar-me sem objetivo. Corres risco de levar grande sova; Uns certeiros pontapés com motivo. Tua vida interesseira seguiste. Meu modesto destino

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Quando amamos

Quando amamos, Cometemos loucuras. Não ouvimos sequer A voz da consciência, Partimos para aventuras. Cegos, surdos e mudos, Não temos hora nem pressa. Só vivemos para aquele mundo, Até fazemos promessa. Quem ama, Chora e sorri de felicidade, Sente saudade de tudo Do primeiro olhar, do primeiro beijo Do primeiro encontro; em tudo Vê o

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Se

Se eu fosse o vento, Sentirias minha carícia. Se eu fosse a chuva, Em mim tocarias. Se eu fosse uma flor, Meu cheiro sentirias. Se eu fosse teu sorriso, Nunca chorarias. Se eu fosse a tua música, A mim ouvirias. Se eu fosse o teu destino, Tu me encontrarias Se eu fosse a tua musa

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Porquê?

Procuro-te tanto porque A veemência e o doce dos nossos beijos Hoje têm o gosto amargo da saudade. As risadas ingénuas, alegres e sinceras São agora como o êxtase dos mortos: Silêncio puro. E os nossos corpos nus, ardentes, perfeitos? Ah! Esses pobres! Desonrados, excitados, Também não se fundem mais. Assim como nós, são apenas

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